quarta-feira, 16 de julho de 2008

Hoje, quarta-feira dia 16 de julho, Israel amanheceu de luto. Pela manhã, foram entregues os corpos de dois reservistas do exército de Israel, Ehud Goldwasser e Eldad Regév, raptados pelo Hezbolá em 2006 durante uma patrulha na área de fronteira com o Líbano. Apesar das famílias ainda sustentarem a esperança que seus filhos estariam vivos, a sociedade israelense já esperava o pior. A imagem dos dois caixões pretos, sendo carregados por membros do Hezbolá, chocou o estado judaico.

Eldad Regev e Ehud Goldwasser


Os corpos de Goldwasser e Regév estão sendo entregues como parte de uma controversa negociação entre Israel e o Hezbolá, onde em troca dos restos mortais de seus dois soldados, Israel entregaria os corpos de 185 militantes libaneses e palestinos, mortos em combate e enterrados em Israel após os confrontos de 2006. Ainda não satisfeitos com a negociação, o Hezbolá exigiu a libertação de 5 prisioneiros libaneses envolvidos em ataques terroristas em Israel, incluindo Samir Qantar, preso em 1979 por assassinar brutalmente quatro israelenses entre eles uma criança de 3 anos (Einat Haran, que teve sua cabeça estourada por Qantar na presença de seus pais, num ato tão cruel que marcou o final da década de 70 em Israel). Qantar tinha 16 anos quando foi preso. Entre os presos que foram liberados também está Dalal Mughrabi, uma mulher palestina envolvida no ataque suicida de um ônibus em 1978 que resultou na morte de 35 civis israelenses.


O absurdo de toda esta história não está sendo apenas a libertação de assassinos cruéis, mas o tipo de recepção que estes criminosos estão recebendo no Líbano. O Hezbolá declarou feriado nacional, organizando passeatas e shows em várias cidades. Em Beirut, os 5 prisioneiros serão recebidos pelas principais autoridades do Líbano, onde andarão em revista à tropa do Hezbolá em um tapete vermelho. Sim, vocês leram corretamente: tapete vermelho! Eles foram declarados heróis nacionais.


Em um recente artigo de minha autoria, descrevi a importância que o povo judeu dá para os de seu próprio povo, sendo cada judeu responsável por seu próximo. No judaísmo, aprendemos que o respeito à vida se estende até mesmo depois da morte, pois os restos mortais devem descansar em paz aguardando a ressurreição que ocorrerá com a vinda do Messias. Por isso, é nossa obrigação como povo e nação trazer nossos combatentes de volta à sua terra, vivos ou mortos.

Um homem prepara os cartazes com a foto de Samir Qantar em uma gráfica da cidade de Tiro, Líbano.

Confesso que ao ver os restos mortais dos dois soldados (cujos corpos não foram sequer enterrados e estavam tão maltratados que quase não foi possível a identificação por DNA), contrastado com o tapete vermelho e o júbilo do povo libanês ao receber o “herói” Samir Qantar, senti grande indignação. Não contra o Hezbolá ou sua ideologia do terror, mas contra os que teimam em não ver a dura e cruel realidade do conflito árabe-israelense. Quando, na história de Israel, um judeu condenado por assassinato seria considerado herói nacional? Será que o mundo vê e não enxerga? Escuta e não ouve? Será que este ódio islâmico contra Israel e o povo judeu ainda continuará sendo explicado como sendo fruto de “ocupação territorial”? Até quando o aspecto religioso e espiritual continuará sendo desprezado até mesmo pelos cristãos?

Me dirijo à Igreja pois creio que a mídia já perdeu há décadas sua imparcialidade quando o assunto é o conflito árabe-israelense. Hoje, assistindo a CNN, um correspondente foi cortado subitamente quando falava AO VIVO. Ele apontava para o terror do Hezbolá e como o mal é celebrado como virtude entre os libaneses. Na mídia francesa, considerada uma das mais anti-semitas do mundo, o notíciário principal escolheu mostrar a situação dos árabes em Israel. As imagens são carregadas de mensagens, como crianças olhando por janelas com grades e pessoas em um depósito de lixo. Mas os repórteres não mostraram as luxuosas casas em construções nem os carros importados da população árabe de Jerusalém, da Galiléia ou do Golan! Estas imagens não vendem! Os árabes em território Israelense possuem uma condição financeira melhor do que os árabes em TODOS os outros países vizinhos de Israel. Basta sair nas ruas para constatar a verdadeira situação dos "pobres" palestinos em território israelense. Mas isto não é interessante para a mídia. Propagar uma mentira absurda é mais lucrativo do que admitir a verdade.

Ha poucos dias li uma reportagem em um jornal israelense sobre a posição anti-semita da United Methodist Church, dos EUA, que instituiu um manual anti-semita em suas escolas dominicais infantis, referindo-se ao estado moderno de Israel como sendo o “verdadeiro pecado original”. Isto também foi um choque para mim!

Oro para que a Igreja acorde de seu sono profundo e comece a enxergar a verdadeira ameaça, o verdadeiro inimigo. Já não é fácil conviver com 1,5 bilhões de árabes que nos odeiam, quanto mais sentir o ódio e a intolerância de cristãos ao redor do mundo que afirmam adorarem ao Deus de Israel, ao Leão da tribo de Judá. Me pergunto: Como é possível adorar ao Deus de Israel e odiar a Israel? Como é possível entoar louvores ao Reis dos Judeus e ao mesmo tempo desejar o mal aos judeus? Enquanto os libaneses celebram com música, festa e tapete vermelho seus “heróis”, Israel chora e lamenta seus mortos. Termino esta mensagem com as palavras do Rei Davi, mais do que oportunas nestes dias de luto: “Até quando, Senhor, os ímpios saltarão de prazer? (...) Até quando se gloriarão os que praticam a iniqüidade? Até quando?” (Sl 94:2-4)

Feriado nacional - Assassinos recebidos com tapete vermelho no Líbano