sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Shalom amados,

Estamos no mês judaico de Elul, chamado em hebraico de chodesh tshuvá (mês do arrependimento, ou do retorno). Elul é um mês de preparação para as Festas de outono: Rosh Há Shaná, Yom Kippur e é claro, Sucôt (Tabernáculos). Durante o mês de Elul toca-se o shofar todos os dias pela manhã, juntamente com um serviço na sinagoga muito especial, chamado de Slichôt (perdão). Alguns podem pensar que este culto matinal de arrependimento seria algo triste, mas na verdade é um serviço muito alegre. Celebra-se a oportunidade de arrependimento, o que é um dos maiores símbolos da graça (chéssed) do Eterno. “...a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” Sl 51:17. Que possamos todos buscar o verdadeiro arrependimento e voltarmos nossos pensamentos para o Eterno, preparando-nos para Yom Kippur.

Há uma grande batalha acontecendo neste momento em Israel no que diz respeito a legalidade dos judeus messiânicos. Os religiosos não os consideram judeus pelo fato de crerem em Yeshua, apesar de terem o direito de cidadania garantido pela constituição do país. Como os religiosos também controlam a maioria no parlamento, o país navega pelas águas de suas determinações.

Bíblias queimadas em público na cidade de Or Yehuda, em uma manifestação de judeus ortodoxos contra a presença de messiânicos na cidade - 25/05/2008

Mas nesta semana, em uma decisão histórica, o departamento anti-missionário de Israel (Iad Le Achim), anunciou que permitirá a imigração de judeus messiânicos da Índia, os chamados “Bnei Manashê”. Todos estão celebrando esta decisão como sendo uma grande vitória para os judeus messiânicos, mas na verdade se trata de uma grande armadilha dos ortodoxos para obrigar estes judeus que crêem em Yeshua a passarem por um processo de conversão. Como todos sabem, durante estas conversões, 99,99% das pessoas acabam sendo convencidas que Yeshua foi um grande charlatão e mentiroso. Só em Israel, os ortodoxos estão convertendo 3000 cristãos POR ANO ao judaísmo. Geralmente, os rabinos aqui em Israel que mais odeiam cristãos são ex-pastores e ex-missionários que se converteram ao judaísmo e abandonaram sua fé. Aqui em Israel, o judeu messiânico é discriminado e tratado como “traidor” pelos religiosos, que também controlam a polícia. Vocês não fazem idéia do ódio, da aversão e da intolerância que os judeus ortodoxos têm em relação a Yeshua e aos judeus messiânicos aqui em Israel. Não há perseguição religiosa em Israel para o cristão (católico, protestante, pentecostal, etc.) nem para o muçulmano, nem para o budista, o induísta e nem mesmo para o ateu. Mas no momento em que um judeu decide crer em Yeshua (Jesus) como Messias, mantendo seu estilo de vida judaico, a perseguição se estabelece ferozmente.

Daí minha preocupação quando vejo cristãos no Brasil e no mundo imitando e supervalorizando este mesmo ortodoxismo contemporâneo, com suas roupas, tradições e costumes estranhos a Israel e as Escrituras, que trariam vergonha e espanto tanto aos profetas de Israel quando aos nossos sábios da antiguidade como Maimonides, Rashi ou até mesmo Baruch Espinoza. Na verdade, o judaísmo de hoje precisa urgentemente de uma grande reforma, de uma grande restauração.

Tenham todos um abençoado SHABAT,

MZandona