sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

As cenas marcantes de soldados israelenses retirando judeus à força de suas casas, novamente foram notícia esta semana em Israel. Desta vez, o impasse foi na importante cidade de Hebron, a maior cidade da Cisjordânia (Judéia). Por ordem judicial, 25 famílias deveriam ser evacuadas do local chamado “Beit Ha Shalom” (Casa da Paz), um complexo de 4 andares onde há residências e um centro de estudos, comprado em 2007 por colonos Judeus. Não há palavras para descrever o sentimento que se tem ao ver judeus atacando judeus. À imagem do que ocorreu em 2005 na faixa de Gaza, a maioria dos colonos não aceitou a decisão judicial de retirada e decidiu resistir. Mas desta vez, a resistência foi acompanhada de violência por parte das famílias religiosas. O resultado, depois de uma semana de intensos conflitos, são dezenas de feridos de ambos os lados. Ironicamente, a “Casa da Paz” se tornou a “Casa da Discórdia” entre judeus.

Policiais Israelenses tentam retirar as 25 famílias de Judeus religiosos da "Casa da Paz" em Hebron - resistência nada "pacífica"

A presença judaica em Hebron data da época de Abraão, quando o patriarca compra dos Hititas a caverna de Machpela (Caverna dos Patriarcas), para sepulcro de sua esposa Sara. Machpela é o local do sepulcro de Abraão, Isaque, Jacó, Rebeca, Lea e Sara. Desde então, os judeus tem o local como local de peregrinação. Josué e Calebe conquistam Hebron e a tornam uma das cidades dos Levitas. O Rei David reina de Hebron durante 7 anos, depois passando a sede de seu governo e do povo judeu para Jerusalém. Apesar de vários impérios terem conquistado a região da Judéia durante a história (Assírios, Babilônios, Gregos, Romanos, Europeus, Árabes e Turcos), a presença judaica em Hebron sempre existiu. Apenas recentemente, em 1929, um massacre organizado pelos árabes quase exterminou a população judaica da cidade. Após 1967, Hebron passa a ser oficialmente controlada por Israel, que fez de tudo para não incomodar a presença árabe no local, restringindo a migração judaica para lá. Somente algumas famílias de descendentes dos antigos moradores judeus de Hebron obtiveram o direito de se estabeleceram na cidade. Em 1997, Israel dividiu a cidade em 2 setores: H1, com 120.000 palestinos e H2, com 30.000 palestinos e aproximadamente 500 judeus. H1 foi entregue à Autoridade Palestina e H2 continua sob jurisdição Israelense, visando a proteção das 85 famílias judaicas que ainda vivem ali. O prédio comprado em 2007 por um descendente dos antigos moradores judeus de Hebron, abrigava 25 famílias judaicas. O antigo proprietário, um construtor palestino, moveu uma ação contra a presença judaica no local alegando que não sabia que o comprador era judeu. A Suprema Corte israelense decidiu por retirar todos os judeus da chamada “Casa da Paz”, até que o caso seja esclarecido.

Caverna dos Patriacas em Hebron - 2500 anos antes do Islamismo, o local já era venerado por Judeus.

Todos aqui concordam que o Governo agiu precipitadamente ao exigir a retirada dos mais de 200 judeus religiosos do prédio em Hebron. Sabemos que a ordem judicial é carregada de interesses políticos de partidos como o "Avodá" e o "Kadima", que concorrem ao cargo de primeiro Ministro nas próximas eleições. Ambos tentam ganhar eleitores esquerdistas, e o evento em Hebron foi um "prato cheio" para Iehud Barak (Avodá) como Ministro da Defesa. Mas o que foi visto esta semana representou uma verdadeira vergonha aos princípios da Torá e ao verdadeiro judaísmo. Além de resistirem à decisão judicial, dezenas de jovens judeus ortodoxos, moradores da Casa de Paz (e muitos outros vindos de Jerusalém), atacaram casas e lojas de palestinos que moram próximos ao prédio. Como se não bastasse, estes jovens também atacaram os soldados israelenses que organizavam a retirada, jogando pedras e até ácido em um dos militares. É verdade que os Palestinos em Hebron têm atacado e massacrado os judeus de lá há mais de 50 anos. É verdade também que, se não fosse pelo massacre da população judaica , em 1929, Hebron seria hoje de maioria israelense. Mas os atos terroristas cometidos pelos árabes contra os judeus não podem, em hipótese alguma, servirem como justificativa aos ataques realizados esta semana por Judeus ortodoxos contra Palestinos e contra Judeus. Até mesmo rabinos ortodoxos têm sido acusados de motivarem seus discípulos a tomarem parte no conflito contra soldados Israelenses.

Este tipo de fanatismo judaico não tem contribuído em nada para Israel, para o mundo, nem muito menos para a volta do Messias. Ele tem, na verdade, aprisionado seus seguidores e criado um ódio contra todos os que não seguem as rigorosas decisões legalistas de seus rabinos. Este tipo de judaísmo se transformou em uma seita, onde os princípios divinos da Torá e dos Profetas são substituídos por uma Halachá incoerente e paradoxal, que oprime e atrofia a mente de seus seguidores. Repletos de corrupção e interesses políticos, seus líderes continuam a afundar o país no mar da intolerância e do ortodoxismo racista, fundamentalista e distante da verdadeira Torá. O Eterno não deseja judeus escravizados por ensinamentos de rabinos europeus. Ele deseja homens e mulheres que, a exemplo de Seu servo Davi, sejam chamados segundo o “SEU” coração. O judaísmo precisa, mais do que nunca, de urgente restauração!

A todos meu Shalom u'Vrachôt (Paz e Bênçãos),

MZandonna