quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Últimas notícias – Operação GAZA

Primeiramente gostaria de agradecer por todos os e-mails recebidos e principalmente pelas orações a nosso favor. Estamos bem e acompanhando de perto toda a tensão e tristeza que este conflito tem gerado para ambos os lados. A todos o nosso Todah Rabá (muito obrigado) e continuem orando por nós.

A situação aqui em Israel está tensa. Hoje, quarta-feira, houve protestos em várias cidades, alguns contra e outros a favor da ofensiva contra as instalações do Hamás em Gaza, iniciada no último sábado. Israel optou por não conceder um cessar fogo até que os objetivos sejam alcançados, os quais incluem o total desmantelamento do potencial de fogo do Hamás. Isto significa que enquanto houver foguetes sendo lançados à cidades Israelenses provenientes de Gaza, Israel não cessará sua incursão militar. Pela primeira vez foguetes do Hamás alcançaram cidades israelenses a mais de 40Km de distância da fronteira com Gaza, incluindo Beer Sheva. Só ontem mais de 50 foguetes foram lançados contra cidades ao sul.

Foguete lançado de Gaza contra a cidade de Sderôt, ao Sul de Israel - 300 apenas durante o "cessar-fogo" do Hamás.

Pelo que tenho acompanhado da mídia internacional, principalmente a brasileira, há uma grande distorção dos fatos com o intuito de mostrar Israel como o “grande inimigo” que tem punido a população palestina. Vejo fotos nos principais jornais nacionais com grande apelo dramático, onde são mostradas crianças e mulheres desesperadas em meio a imagens de destruição. Não é mostrado que a maioria dos mortos e feridos eram militantes do Hamás, ou seja, dos 390 mortos até hoje, 280 eram membros da facção terrorista. Ninguém mostra o terror e o medo que o Hamás plantou nos habitantes de várias cidades israelenses próximas à fronteira com Gaza, em meses e meses de foguetes DIÁRIOS lançados contra estas populações. Aliás, apenas durante o “cessar-fogo” que vigorou de Junho à Dezembro deste ano, militantes do Hamás lançaram mais de 300 foguetes contra Sderot e Ashkelon; eu disse 300! Ainda assim, as pessoas acreditam nas declarações de integrantes do Hamás que foi Israel o responsável pela quebra do cessar-fogo.
Também não vejo anunciado em lugar algum a escolha do Hamás de armazenar armamento em áreas residenciais visando proteger seu arsenal bélico. Para estes fundamentalistas, a vida não tem valor, pois civis são usados como escudos humanos. Nenhum jornal, (a não ser os jornais locais daqui), noticiou que o Hamás PROIBIU a entrada de ajuda humanitária proveniente do Egito, visando claramente a degradação da população de GAZA com fins de aumentar o sofrimento da população, uma vez que este é o tipo de imagem que vende aos jornais internacionais: os palestinos sofrendo nas mãos dos “terríveis” israelenses. Não vejo ninguém noticiando que os hospitais das mesmas cidades atacadas pelos foguetes do Hamás, abriram suas portas para receberem os feridos de Gaza. E quem noticiou que a inteligência militar Israelense, a AMAN, realizou mais de 100.000 ligações telefônicas uma semana antes dos ataques, alertando a população civil de GAZA a ficar longe de prédios e construções utilizados pelo Hamás? Eu digo que o verdadeiro crime é manipular informações como a mídia internacional tem feito (principalmente a brasileira), visando mostrar apenas um lado da história e ainda assim, tremendamente deturpado. Como será que o exército brasileiro reagiria se um grupo de terroristas argentinos bombardeasse constantemente cidades brasileiras na fronteira? Ou o que fariam os EUA se cidades da Califórnia fossem diariamente atingidas por foguetes mexicanos? Será que esperariam tanto como Israel esperou?

Livramento - Escola atingida na manhã de hoje em Beer Sheva, à 40km da fronteira com Gaza. Ontem à noite o prefeito da cidade cancelou as aulas temendo ataques do Hamás.


Todos em Israel, principalmente nas cidades próximas à Cisjordânia como Jerusalém, temem que a aparente paz dará lugar a uma devastadora retaliação palestina, com ataques suicidas sendo conduzidos por árabes israelenses em locais públicos. Apesar do controle político da Cisjordânia estar nas mãos do Fatah (lembrando que o Fatah e o Hamás há pouco tempo ainda estavam em guerra civil) cremos que as facções terroristas se unirão novamente para atacarem a Israel. Daí a grande tensão que se encontram as pessoas em cidades como Jerusalém, com grande população árabe muçulmana.

Termino este post com um outro artigo, publicado ontem pelo jornal Jerusalem Post, que vai ajudar ainda mais os leitores deste blog a entenderem o que realmente está acontecendo por aqui. Mais uma vez peço para que as pessoas não julguem a situação pelo que vêem na rede Globo ou na CNN, mas busquem conhecer mais a fundo as verdadeiras raízes deste conflito que jamais foi nem nunca será por causas territoriais.

Contamos com as orações de todos,

Mzandonna



Queremos um “Cessar-terror”, não um cessar-fogo

Jerusalem Post – 30/12/2008

No quarto dia da operação GAZA e com diversas reivindicações internacionais, ainda é muito prematuro para Israel pensar em um cessar-fogo. É o Hamás que precisa de uma saída estratégica para cessar a situação devastadora criada por ele mesmo. Os líderes do Hamás ordenaram o ataque além da fronteira contra Israel em Junho de 2006, quando dois soldados israelenses foram mortos e Gilad Schalit foi raptado. Eles iniciaram uma guerra civil com o Fatah transformando Gaza em um grande campo de guerra islâmico. Centenas de palestinos perderam a vida neste conflito interno iniciado pelo Hamás.

Eles se trancaram no velho mantra árabe: “sem reconhecimento, sem negociação e sem paz”. O Hamás também se recusou a honrar os acordos assinados entre a OLP e Israel. Foram contrários à criação de um Estado Palestino, transformando a faixa de Gaza em um local de confinamento e isolamento político e social.

Desde o início da operação GAZA no último sábado, 400 instalações do Hamás foram destruídas. Grande parte dos símbolos do regime fundamentalista foi destruída e os líderes do Hamás se esconderam, abandonando a população que desde 2005 enfrenta todos os tipos de problemas em detrimento do governo terrorista implantado pelo Hamás.

Israel mantém-se firme em seu propósito: prover segurança para as cidades ao sul e impedir o Hamás de atacar a população israelense. Alemanha, Inglaterra, França, Turquia, Grécia ou até os EUA jamais tolerariam ataques de mísseis contínuos em seus territórios. Israel também não permitirá!

Ataque da Força Aérea Israelense à Universidade Islâmica da cidade de Gaza - A instituição era controlada pelo Hamás desde 2005

Este processo de implantar paz duradoura e segurança no sul de Israel está apenas no início. Analistas militares estimam que metade do arsenal do Hamás ainda está intacto. A maioria de sua força armada está segura no subterrâneo. Em outras palavras, o Hamás está se protegendo enquanto deixa o povo palestino exposto e sem liderança. Quanto mais Israel conseguir impedir o governo do Hamás de exercer autoridade em Gaza, mais a legalidade islâmica é enfraquecida.

O Hamás poderia ter evitado a presente situação, uma vez que Israel iniciou uma campanha bem previsível. Ele também poderia ter cessado o lançamento de foguetes para encerrar o ataque israelense. Mas o Hamás não deseja isso. Ele quer os tanques israelenses entrando em Gaza. Ao continuar o ataque às cidades israelenses como Ashdod, Ashkelon, Sderot e Beer Sheva, o Hamás manipula o exército Israelense para dançar conforme a sua música, conforme suas regras. Eles sabem que há certos alvos (como por exemplo os depósitos de munição que estão localizados em áreas residenciais) que a força aérea israelense não atacará. Eles também sabem que apenas o ataque aéreo de Israel não poderá cessar o lançamento de foguetes pelos terroristas.

Integrantes da Jihad Islâmica preparam foguetes que serão lançados contra Israel - GAZA

O Hamás não pode receber o que tanto deseja. Ele quer que Israel envie suas tropas terrestres pelos campos e estradas de Gaza para realizar uma série de ataques e emboscadas aos soldados israelenses. Tais ataques estão sendo preparados há anos.

Não podendo cessar os ataques, o Hamás conta com a pressão interna e também a pressão internacional para fazer Israel declarar um cessar fogo, o que daria tempo o suficiente para a facção se reagrupar. Eles precisam disso para declarar a “vitória moral” contra Israel, para demonstrar que o ocidente não tem resposta, só podendo assistir ao crescimento do extremismo islâmico. Finalmente, o Hamás precisa de um cessar-fogo segundo seus próprios termos, ou corre o risco de entregar a liderança de Gaza para Mahmoud Abbas, como exigido pelo Egito.

Assim, o que o Hamás quer ele está aos poucos recebendo. Ele quer que os jornais internacionais continuem a disseminar imagens dramáticas que escondem o fato que a maioria dos mortos e feridos no confronto eram militantes do Hamás. Ele quer que a imprensa divulgue fotos e vídeos que mostre apenas os palestinos, e jamais o trauma israelense nas cidades ao sul.


A força aérea em breve terá feito tudo o que pode ser feito; e ainda assim, o Hamás ainda continuará lançando seus foguetes. Israel terá então que demonstrar sua capacidade militar não pela força, mas por sua capacidade histórica de utilizar estratégias novas contra o inimigo e não entrar em uma batalha já planejada pelo lado oposto.

Cedo ou tarde a liderança militar e política do Hamás sairá de seu esconderijo, e a força aérea terá que terminar sua missão. Enquanto isso, o fronte israelense será testado, tendo que demonstrar paciência e persistência.

Não deve haver um cessar-fogo até que o objetivo anunciado de garantir segurança nas cidades do sul tenha sido alcançado.