domingo, 18 de janeiro de 2009

Hafssakát Êsh

Na madrugada desse domingo dia 18, o governo de Israel declarou um Hafssakát Êsh (cessar-fogo) unilateral, colocando fim a 23 dias de bombardeios intensos às instalações do Hamás na Faixa de Gaza. Porém, de acordo com as declarações do Primeiro Ministro Ehud Olmert, o exército de Israel permanecerá em Gaza até que os ataques às cidades do Sul cessem por completo. “Se o Hamás cessar por completo o lançamento deliberado de foguetes contra israelenses, Israel irá retirar suas tropas por completo de Gaza. Se isso não acontecer, tal como foi registrado no dia de hoje, o exército de Israel continuará sua operação na região para proteger os cidadãos israelenses (...). Nossa luta não é nem nunca foi contra o povo de Gaza, mas sim contra o Hamás e sua ideologia de eliminação completa de Israel. Deixamos completamente a região em 2005 com a intenção de nunca mais voltarmos. Mas infelizmente, os ataques deliberados contra israelenses jamais cessaram”, afirmou Olmert na reunião parlamentar deste domingo.

Soldados israelenses celebram o fim do conflito

Neste último final de semana (minutos depois das declarações do cessar-fogo israelense), dezenas de foguetes atingiram cidades e comunidades próximas à Beer-Sheva. Uma sinagoga foi atingida em cheio no sábado pela manhã na comunidade de Netivot, mas por um milagre ninguém se feriu pois os membros estavam no intervalo das orações quando o foguete atingiu o prédio.

Enquanto os foguetes não param de cair em território israelense, Israel abre as portas de seus hospitais para receber palestinos feridos no confronto. Aliás, desde antes do início do conflito Israel já havia declarado que seus hospitais estariam abertos para os Palestinos. Também desde o início do conflito caminhões diários com ajuda humanitária têm sido enviados a Gaza por parte de Israel.

Aproveitando o cessar-fogo declarado por Israel, o Hamás também declarou nesta manhã um cessar-fogo, mas condicionado à algumas exigências. Segundo Ayman Taha, porta voz oficial da facção terrorista, as tropas israelenses possuem uma semana para evacuarem totalmente a região. Ayman também ordenou a reabertura imediata da fronteira com o Egito. “Se em sete dias estas exigências não forem atendidas, os ataques continuarão”, afirmou Ayman na cidade do Cairo nesta manhã.

Membros da sinagoga em Netivot agradecem a D-us pelo milagre neste sábado - No momento do impacto todos estavam fora do prédio, no intervalo das orações.

Como vocês podem ver, apesar do cessar-fogo declarado por ambas as partes, o confronto com o Hamás ainda está longe de uma solução pacífica. Antes os ataques do Hamás se justificavam pela simples presença de Judeus em Israel. Agora, eles dizem ao mundo que os ataques são devido à invasão de Gaza por Israel há 23 dias. As desculpas mudam de acordo com a música, mas o objetivo é apenas um: riscar Israel do mapa. Tal objetivo nunca foi novidade para Palestinos ou Israelenses; apenas a mídia internacional finge não saber. Mas uma coisa é certa: enquanto o Hamás existir e exercer o governo na região, ataques deliberados contra civis israelenses continuarão a existir. Nunca existiu, por parte do Hamás, do Fatah, do Hizbolá ou da Jihad Islâmica, o desejo de co-existir pacificamente com Israel.

Tem circulado na mídia eletrônica brasileira uma certa “carta de um irmão palestino”, escrita por um misterioso “Achmed”. Achmed seria um palestino que imigrou para o Brasil quando criança e que expõe sua visão contra o Hamás e sua política de terror e medo em uma carta. Como não pude confirmar a veracidade e autenticidade desta carta, optei por não postá-la para vocês em meu blog.

Ao invés disso, optei por publicar uma outra carta, também escrita por um árabe. Esta carta foi escrita por Youssef Ibraim, ex-correspondente do New York Times e ex-editor do Wall Street Journal. Ibrahim é bem conhecido na mídia árabe e também americana. Vale apena conferir o ponto de vista do Sr. Ibrahim.

Desejando a todos um Shavua Tov (Boa Semana),

MZandonna



Aos meus irmãos árabes: A Guerra contra Israel terminou – eles ganharam! Agora, vamos seguir em frente!

Por Youssef M. Ibrahim

Com Israel entrando em sua quarta semana de incursão na mesma Faixa de Gaza que voluntariamente evacuou há alguns meses, um senso de realidade entre os árabes está se espalhando através de cartas, programas de TV em canais árabes, jornais árabes, etc. As novas visões são surpreendentes tanto pela maturidade quanto pelo realismo. A melhor maneira que encontrei para expressar tal visão foi na forma de uma carta dos árabes para seus irmãos palestinos:

Caros irmãos árabes palestinos,

A guerra contra Israel acabou. Vocês perderam. Rendam-se e negociem para assegurarem um futuro para seus filhos. Nós, seus irmãos árabes, diremos até ficarmos roxos que permaneceremos com vocês, mas os sábios entre vocês e a maioria de nós sabe que temos que continuar em frente, longe da velha e cansativa idéia da causa Palestina do “eterno conflito” com Israel.

Caros amigos, vocês e seus líderes já desperdiçaram três gerações tentando lutar pela “Palestina”, mas a verdade é que a Palestina que vocês tiveram nas mãos em 1948 é muito maior do que aquela que vocês puderam ter em 1967, a qual ainda é maior daquela que vocês poderão negociar agora ou daqui a 10 anos. Este conflito tem significado menos terra e mais miséria e solidão para vocês.

No presente momento, meus irmãos, vocês seriam afortunados se assegurassem um Estado nesta mesma Faixa de Gaza que vocês todos se amontoam, bem como na pequena parte da Cisjordânia. Não vai ficar melhor do que isso. O tempo está passando e pode ser tarde demais até para estes territórios. Então, deixo abaixo alguns fatos, estimativas e também alguns conselhos, caros amigos.

Vocês têm chaves as quais vocês arrastam para entrevistas na TV, para casas que não existem ou que são habitadas por israelenses que não possuem interesse algum em deixar Jafa, Haifa, Tel-Aviv ou Jerusalém Ocidental. Vocês atacam com armas ultrapassadas os modernos tanques israelenses e os jatos de combate feitos pelos EUA, causando praticamente nenhum dano para Israel e ao mesmo tempo atraindo para vocês a ira e o poder de seu exército. Vocês ridiculamente lançam foguetes Kassam os quais causam pouquíssima destruição e se iludem no pensamento que esta é uma guerra para de “liberação da Palestina”. Seu governo, suas instituições sociais, suas escolas e sua economia estão em ruínas.

Seus jovens têm crescido iletrados, doentes e atrelados a ritos de morte e suicídio, enquanto vocês, com efeito, vivem à custa da bondade de estrangeiros, incluindo os EUA e as Nações Unidas. Todos os dias seus oficiais têm que implorar pelo seu pão diário, dependente de caminhões de ajuda humanitária com comida e remédios para a Faixa de Gaza e Cisjordânia, enquanto o governo do criminoso, muçulmano e fundamentalista Hamás continua a colocar lenha na fogueira para uma guerra que não pode ser nem lutada nem muito menos ganha.

Em outras palavras, meus irmãos, vocês estão por baixo, isolados e sozinhos em um pasto em chamas que se encolhe a cada dia.

Que tipo de conflito é este? Vale a pena estar envolvido nele? Mais importante: que tipo de futuro miserável este conflito tem garantido para as suas crianças, a quarta ou quinta geração dos “árabes que nada possuem”?

Nós, seus irmãos árabes, já passamos desta fase.

Os que dentre nós possuem dinheiro proveniente do petróleo estão ocupados acumulando riquezas e construindo casas, luxuosos estabelecimentos, universidades e escolas, estradas e rodovias. Os que dentre nós fazem fronteira com Israel, como o Egito e a Jordânia, assinaram tratados de paz e com certeza não entrarão em guerra por vossa causa. Aqueles de nós que estão longe, em lugares como o Norte da África ou o Iraque, francamente não dão a mínima com o que acontece com vocês.

Apenas a Síria continua alimentando a fantasia que um dia ela se unirá a vocês na “libertação da Palestina”, mesmo tendo uma grande fatia de seu território, as planícies do Golan, tomada e anexada por Israel em 1967. Os sírios, meus caros amigos, lutarão até verem o último palestino árabe perecer.

Antes de vocês estarem atrelados a esta gangue do Hamás, um outro líder trapaceiro e corrupto de vocês, o Sr. Yasser Arafat, vendeu para vocês um pacote com muitos produtos: dor, corrupção e milhões de dólares roubados de vocês e desviados para os parentes dele – tudo isso enquanto suas crianças brincavam nos esgotos de Gaza.

A guerra acabou. Porque não dar início a um novo futuro?

Youssef M. Ibrahim