quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pessach terminou! A vida em Israel está voltando ao normal. As pessoas estão voltando a usar seus utensílios de cozinha normalmente e estão comendo pão novamente. Comer matzá por sete dias não é tão fácil como alguns pensam, pois o matzá é um pão muito pesado – um pedaço de matzá equivale em calorias a um pão e meio. Tão logo pessach terminou na noite do 7º dia, as pessoas correram às padarias para comprar pães, bolos e outras guloseimas.

Em Israel as festas acontecem em grupos. Temos o grupo que começa com Rosh ha Shana e termina com os oito dias de Sucôt (Tabernáculos) – tendo o Yom Kippur entre estas duas festas importantes. O grupo da primavera (no hemisfério norte) começa com Purim e é seguida por Pessach. Após Pessach temos a lembrança do Holocausto, um dia depois o dia memorial pelos soldados que pereceram em todas as guerras de Israel e em seguida celebramos a independência de Israel.

Tradicionalmente, em nossa congregação, temos um grande piquenique no dia da independência. Nestes dias parece que todos em Israel estão “em todos os montes e debaixo de toda árvore verde”, fazendo churrasco e assando carne defumada. Israel completa 61 anos em duas semanas e o sentimento de muitos e muitos israelenses é que estamos vivendo um verdadeiro milagre. Até mesmo David Ben Gurion (cujo nome ukraniano antes de imigrar para Israel era David Green), disse que “uma pessoa que não crê em milagres não é um realista”.

Imagine que o Estado de Israel sobrevive contra todas as chances. Primeiro, de dentro do Estado de Israel: pessoas de mais de 104 países se uniram em um pequeno pedaço de terra entre o Mediterrâneo e o Mar Morto. Temos uma mistura impressionante de pessoas, um mosaico de cores e culturas. Na Europa, durante os anos negros do racismo nazista, era comum pessoas dizerem: “Ele tem cara de judeu!”. Venha a Israel hoje e veja os judeus etíopes, os louros escandinavos, os judeus marroquinos e os pardos de origem iraquiana, prove das diferentes comidas e culturas e me diga o que é comida judaica!

O segundo milagre é a posição de Israel na comunidade científica mundial. Todo o mundo árabe recebeu um total 8 prêmios Nobel. Nós judeus recebemos mais de 120, sendo que 8 deles foram para judeus israelenses. Muitas das invenções do século XX que agraciam nossas vidas na área medicinal e tecnológica foram desenvolvidas e inventadas em Israel por judeus que tiveram suas famílias queimadas nos fornos de Bergen Belzen, Aucshwitz, Sobibor e Ravensbrook, localizado fora de Berlin. Israel é uma nação criada das cinzas que cobriram a Europa e que por mil anos ainda lembradas. Eu mesmo sou filho de judeus que viveram no período nazista da Europa. Minha irmã, que era 10 anos mais velha do que eu quando começou a II Guerra, até antes de sua morte costumava comprar todos os dias um pedaço grande de pão e uma garrafa de leite, mesmo morando sozinha e não sendo capaz de comer e beber tudo isso todos os dias. Quando perguntei à ela: “Por que você compra tanta comida?”, ela respondeu: “Durante a Guerra éramos pobres e tínhamos pouca comida; não dava pra comprar nem um pedaço de pão por semana. Hoje eu posso comprar pão e leite todos os dias, e quero aproveitar toda a fartura que não tive quando criança”. Claro que isso era uma espécie de tolice, mas eu posso entender minha irmã e a geração que sobreviveru à era do ódio na II Guerra e que construiu uma nação na terra de Abraão, Isaque e Jacó: a Terra de Israel. Como o Fênix que surge das cinzas para a vida, o povo judeu retornou para esta terra que estava abandonada, transformando-a em um jardim que produz alimento para a geração atual de “Gourmes” europeus.

O terceiro motivo de celebração de seus 61 anos de independência é que Israel sobreviveu a SETE guerras contra exércitos árabes que sempre eram no mínimo 13 vezes maior do que o nosso exército. Isto também é um milagre que os árabes até hoje não conseguem entender.

Eu poderia continuar com o louvor a Israel e outras razões para celebrarmos os 61 anos de nossa independência, mas eu tenho que admitir que Israel como Estado está longe de ser perfeito. Muitos erros foram cometidos internamente e exteriormente, contra judeus e também contra os árabes. Mas tudo isso ainda faz parte do milagre chamado ISRAEL – o retorno da semente de Abraão para a terra que Deus prometeu a ele e a sua semente para SEMPRE. (Veja Genesis cap. 12, 13, 15 e 22 e outras passagens: se o que Deus prometeu for realmente verdade, aparecendo em mais de 12 passagens só em Genesis, esta promessa de posse deve ser levada mais a sério pelos crentes).

Gostaria de dizer também que o que escrevi acima sobre Israel não tem nada a ver com doutrinas de denominações cristãs de pré-mid-pós ou amilenismo. Estou descrevendo a realidade de hoje que é o Estado de Israel como nação predominantemente JUDAICA que tem vivido um sonho de milhares de anos. Esta realidade atual não irá se encaixar nas controvérsias doutrinárias das Igrejas cristãs que dividiram-se e subdividiram-se tendo como motivo meras especulações escatológicas.

Todos precisamos orar pelo Estado de Israel bem como precisamos orar pelos países que vivemos e onde desfrutamos da liberdade que Deus nos deu. É muito bom orar por nossas nações e por nossos governantes.

Eu gostaria que vocês orassem também pelos judeus perdidos de Portugal, os Judeus Marranos que foram forçados a se converterem ao catolicismo, mantendo sua identidade judaica escondida até os dias de hoje. Nós precisamos fazer alguma coisa para ajudar esses judeus que têm sido oprimidos por mais de 500 anos. O governo judaico não deve forçar estes judeus à conversão ao judaísmo ortodoxo para serem novamente aceitos por Israel. Isto seria exatamente a mesma coisa que a igreja católica fez durante os dias da inquisição. Israel já aceitou judeus negros da Etiópia, tribos da Índia na fronteira com o Nepal e um arco-íris de cores e raças como judeus. Não podemos cometer novamente os erros históricos do passado. Nós, o povo judeu e o Estado de Israel, precisamos receber e dar as boas vindas a estes judeus como eles estão, trazendo-os novamente ao lar sem forçá-los a se converterem ao judaísmo pois eles já são judeus!

Preciso da oração especial de todos para que possamos ter o suporte financeiro para nosso projeto em Portugal. Na verdade, em alguns dias eu irei a Portugal me encontrar com meus queridos irmãos do Brasil para organizarmos juntos o próximo passo neste projeto. Se você está interessado em reivindicar e restaurar os judeus Marranos e os Anussim novamente à Terra de Israel, nos ajude a financiar este evento histórico que iremos organizar.

Preciso que vocês continuem as orações em favor de nossos irmãos e irmãs que sofrem de doenças crônicas. Ha alguns dias eu recebi uma carta do Dr. TIM Tucker que está hospitalizado na Finlândia por muitos anos. Ele pediu a todos vocês que continuem orando por ele pois cremos que nosso Deus é um Deus de milagres que tudo pode. Para Ele não há limites!

Continuamos a orar pelos seguintes irmãos ao redor do mundo: Aggi, que enfrenta o câncer e Dubi, uma velha amiga que também enfrenta esta doença. Oramos por Kathy, no Colorado, Ruby em Oklahoma e por Paulo em Curitiba, Brasil. Orem também por Sally, uma simpática senhora israelense que também está com câncer. Em Jerusalém, orem por Sarit, Tzvi e Sara, Miriam, Lea, Ahuva e Ilana, irmãs preciosas de nossa congregação. Peço que continuam a orar para que Deus cure minha esposa Márcia, mostrando Sua graça também para minha filha Danna e para minha neta Noaam.

Por favor orem por nossa congregação, a Roeh Israel, em Jerusalém. Precisamos ser guiados e fortalecidos por Deus para podermos melhorar, nos tornando melhores servos para Deus e Seu reino. A mesma oração também para nosso Ministério Netivyah e sua dedicada equipe. Todos nós precisamos melhorar nestes dias de crise.

Identificamos algumas avarias estruturais em nosso prédio que têm feito o mesmo afundar. Nesta semana as obras começarão para buscar a causa destes problemas. Isto será um gasto muito grande para nós, mas a segurança de nossos membros vem em primeiro lugar. Ainda que não saibamos a extensão da obra, peço a todos que orem para que possamos arcar com estas despesas e vencer este desafio.

Também precisamos encontrar uma solução para o trabalho humanitário que temos feito provendo comida para os pobres e necessitados de Jerusalém. Precisamos do direcionamento de Deus para podermos abençoar, tendo as respostas para esse problemas.

Que as bênçãos de Deus estejam sobre vocês e suas famílias. Esta é minha oração da Cidade do Grande Rei.

Joseph Shulam