quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Israel e a batalha com a UNESCO

Israel enfrenta uma difícil batalha na próxima semana com a votação mais recente da UNESCO sobre Jerusalém

                O Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu está determinado a contactar vários líderes dos 21 países membros do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, na esperança de persuadi-los a não apoiar a votação que acontecerá na próxima semana sobre a resolução que ignora a conexão judaica com o Monte do Templo.
              O embaixador de Israel para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Carmel Shama-Hacohen, afirmou que Israel enfrenta uma difícil batalha perante o Comitê, já que este é composto por países com um histórico de votação contra Israel.
              “Há uma vontade de por fim a este caos (da tal resolução) que prejudica a todos”, disse Shama-Hacohen. Mas ele reconheceu que o Comitê do Patrimônio Mundial que se reunirá em Paris nos dias 24 a 26 de outubro “será um campo de jogo muito difícil”.
              A votação é parte de um processo burocrático onde o Comitê do Patrimônio Mundial reafirma Jerusalém e a Cidade Antiga e seus Muros na lista de locais ameaçados chamado de “Patrimônio Mundial em Perigo”.
              Essa votação estava marcada para julho deste ano, em Istambul, mas o golpe fracassado da Turquia forçou o Comitê a reagendar para outubro a nova reunião.
              Naquela época, o texto em questão referia-se ao Monte do Templo apenas pelo seu nome islâmico de Al-Haram Al-Sharif. E o Muro das Lamentações foi mencionado duas vezes entre aspas e todas as outras vezes foi referenciado como Buraq Plaza.
              Desde 2015, os palestinos têm pressionado para mudar a referência linguística do Monte do Templo para ignorar as conexões judaico-cristãs do local, transformando cada resolução da UNESCO em uma batalha cultural e histórica entre judaísmo e islamismo.
              Na terça-feira, os 58 estados-membros da diretoria da UNESCO concluíram sua 200ª sessão em Paris ratificando tal texto, que havia sido aprovado na semana passada por 24 a 6 votos. Vinte e seis países se abstiveram e dois estavam ausentes.
              O México, que foi um dos 24 países a favor da resolução anunciou que retirou seu apoio ao texto e que gostaria de ser considerado um dos países que se abstiveram.
              O Brasil também se pronunciou na sessão final da diretoria e indicou que será improvável seu apoio a tal resolução no futuro.
              “Nós avançamos um passo e meio para desmantelar a maioria automática que os palestinos e os estados árabes têm contra Israel”, disse Shama-Hacohen, após a ratificação.
              “O México deu um passo completo para abandonar seu apoio aos palestinos, após anos votando sem hesitar contra Israel.”
“A melhor surpresa da manhã”, disse ele, “foi a notificação do Brasil, que apesar de não ter mudado seu voto neste momento, acharia difícil não o fazer (no futuro), sobre uma resolução com outro texto que desconsidera a conexão do povo judeu com o Monte do Templo e com o Muro Ocidental”, afirmou Shama-Hacohen.
A Autoridade Palestina recebeu bem o resultado da ratificação de terça-feira da Diretoria e recusou os argumentos de Israel que a linguagem do texto era historicamente problemática.
“Estamos falando de posse e domínio do local que fica na Jerusalém Oriental”, disse o vice-embaixador da Autoridade Palestina para a UNESCO, Mounir Anastas.
“Estamos lembrando que Israel é o poder ocupante do local e como tal, tem obrigações a respeitar e que eles têm mais do que obrigações; eles estão presos a leis internacionais que os obriga a, primeiro, não realizar nenhuma obra e segundo, não mudar os nomes neste local.”
“Israel está tentando mudar, focar a atenção em um problema secundário, que é a denominação e coisas assim, esquecendo a essência do problema, que é a ocupação por Israel”, disse Anastas.
A UNESCO aceitou a “Palestina” como um estado-membro desde 2011, apesar de as Nações Unidas não terem feito a mesma coisa.

Na próxima semana, o Comitê do Patrimônio Mundial aprovará um texto similar. As nações que compõe esse Comitê agora são: Angola, Azerbaijão, Burkina Faso, Croácia, Cuba, Filipinas, Finlândia, Indonésia, Jamaica, Cazaquistão, Kuwait, Líbano, Peru, Polônia, Portugal, República da Coreia, Tunísia, Turquia, Tanzânia, Vietnã e Zimbábue. 

Fonte: JPost