quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Manuscrito raro da época do Primeiro Templo mostra a primeira menção em hebraico de Jerusalém


                No mesmo dia que a UNESCO aprovou a resolução que ignora a conexão judaica com o Monte do Templo, a Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) exibiu um documento sem precedentes, da época do Primeiro Templo, contendo uma referência a Jerusalém.
                Escrito em hebraico antigo e datado do tempo do Reino de Judá, durante o século 7 a.C., a rara relíquia feita de papiro é a fonte mais antiga extra-bíblica que menciona Jerusalém em escrita hebraica.
                Saqueada de uma das cavernas do deserto da Judeia por um grupo de ladrões de antiguidades, o documento foi recuperado em uma complexa operação da Unidade de Prevenção de Roubo de Antiguidades da AAI.
                De acordo com o diretor da AAI, Israel Hasson, duas linhas de hebraico antigo estavam preservadas no documento, feito do miolo da planta papiro.

                “Um exame paleográfico das letras e uma análise do Carbono 14 determinaram que o artefato data provavelmente do século 7 a.C., no final do período do Primeiro Templo”, afirmou Hasson.
                “A maioria das letras está claramente legível e a leitura proposta do texto é a seguinte: .יין.  נבלים. מנערתה . המלך. מת[מא]ירשלמה. (“Da serva do Rei, de Naarate, jarros de vinho, de Jerusalém”).
“Posteriormente, foi determinado que a antiguidade era um documento original de transporte do período do Primeiro Templo, indicando o pagamento de impostos ou transferência de bens para um depósito em Jerusalém”, disse Hasson.

“O documento especifica o status do remetente da transferência (serva do rei); o nome da localidade de onde a remessa foi despachada (Naarate); o conteúdo dos vasos (vinho); o número ou quantidade (jarros) e seu destino (Jerusalém)”, afirmou Hasson.
“Naartah, que é mencionada no texto, é a mesma Naarate referida na descrição da fronteira entre Efraim e Benjamin, em Josué 16:7: ‘E desce desde Janoa a Atarote e a Naarate e toca em Jericó, terminando no Jordão’”, acrescentou ele.
O Dr. Eitan Klein, vice-diretor da Unidade de Prevenção de Roubo de Antiguidades da AAI, disse que o documento representa uma evidência extremamente rara da existência de uma administração organizada do Reino de Judá.
“Ele ressalta a centralidade de Jerusalém como capital econômica do Reino na segunda metade do século 7 a.C.”, disse ele.

“De acordo com a Bíblia, os reis Menassés, Amon ou Josias reinaram em Jerusalém nessa época; no entanto, não é possível saber com certeza qual dos reis de Jerusalém foi o destinatário da remessa de vinho.”
Hasson disse que a descoberta do papiro mostra “que existem outros artefatos tremendamente importantes para nosso patrimônio que estão esperando ser encontrados nas cavernas do deserto da Judeia”.
Ainda assim, ele alertou que os ladrões que vendem tais achados no mercado negro estão extricate them em um ritmo alarmante.
“Bens do patrimônio mundial estão sendo saqueados diariamente por ladrões de antiguidade por pura ganância”, advertiu Hasson.
“O Estado tem que se mobilizar e alocar recursos necessários a fim de começar uma operação histórica, junto com a população, e realizar escavações sistemáticas em todas as cavernas do deserto da Judeia.”
Os resultados preliminares das descobertas das pesquisas serão apresentados nesta quinta-feira, na Conferência Regional das Inovações na Arqueologia de Jerusalém, que acontecerá no campus do Monte Scopus da Universidade Hebraica de Jerusalém.
O evento é aberto ao público.


Fonte: Jpost