quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Portugal aprovou apenas 8% dos pedidos de cidadania de Judeus Sefarditas


                Desde março de 2015, quando os descendentes de judeus perseguidos na Inquisição durante 500 anos receberam o direito de aplicar para cidadania, 3.546 pedidos permanecem em análise e apenas 292 foram aprovados.
                 Até o momento, o Instituto de Registros e do Notoriado (IRN) de Portugal aprovou apenas 8% - 292 de 3.838 – dos pedidos de cidadania portuguesa dos descendentes de Judeus Sefarditas perseguidos pela Inquisição, informou o jornal Público.
                Portugal aprovou uma lei em março de 2015 que concede o direito de cidadania aos descendentes de judeus que foram perseguidos há 500 anos. O direito se aplica àqueles que podem provar “uma conexão tradicional” aos judeus sefarditas portugueses, como “nomes de família, língua familiar e ancestralidade direta ou colateral”.
                O Público informou que dos 3.546 pedidos não aprovados, nenhum foi ainda negado. Eles permanecem em avaliação.

Descendentes de judeus que foram forçados a se converter, em Trancoso, Portugal.

                O Ministério da Justiça, do qual o IRN faz parte, foi citado no diário de Lisboa afirmando que o processo é complexo e exige “uma avaliação rigorosa dos documentos entregues”, assim como a verificação da informação junto aos órgãos públicos, como a Polícia Judiciária, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a Direção-geral da Administração da Justiça.
                Cada processo tem antes de passar pelo crivo das comunidades israelitas do Porto e de Lisboa, a quem cabe certificar as provas de descendência destes cidadãos à antiga comunidade judaica portuguesa (que vão desde a inclusão de apelidos portugueses à existência de cartas escritas no antigo idioma da comunidade, o ladino).
                A maioria dos pedidos vem da Turquia (50%), Israel (31%), seguido pelo Brasil, dentre outros, escreveu o Público. Quando a lei entrou em vigor, o IRN recebia uma média mensal de 46 pedidos, que este ano cresceu para 374, revelam os dados fornecidos pelo Ministério da Justiça.
                Após a Espanha expulsar os judeus em 1492, aproximadamente 80 mil deles atravessaram a fronteira para Portugal, estimam os historiadores. O rei João II cobrava uma taxa dos judeus sefarditas para abrigá-los em Portugal. Ele prometeu fornecer-lhes navios para que pudessem fugir para outros países, mas depois mudou de ideia.
Lisboa

                Em 1496, seu sucessor Dom Manuel I, ansioso por encontrar o favor dos poderosos governantes católicos da Espanha, Ferdinando e Isabella e casar com sua filha Isabella de Aragão, deu aos judeus 10 meses para ou se converter ou sair. Quando optaram por sair, Manuel emitiu um novo decreto proibindo sua partida e forçando-os a abraçar o catolicismo romano como "cristãos novos". 
                Os “cristãos novos” adotaram novos nomes, casaram-se com não judeus e até comeram porco em público a fim de provar sua devoção ao catolicismo.
                No entanto, alguns judeus mantiveram suas tradições vivas, guardando o sábado secretamente em suas casas e depois indo à missa no domingo. Eles circuncidavam seus filhos e observavam o Iom Kipur silenciosamente, chamando-o de Dia Puro. Apesar de serem oficialmente aceitos, os cristãos novos viviam à mercê do preconceito popular. No massacre da Páscoa dos judeus conversos em 1506, em Lisboa, acredita-se que mais de 2 mil judeus foram assassinados por pessoas locais.
                A Inquisição Portuguesa, estabelecida em 1536, foi muitas vezes mais cruel que sua antecessora espanhola. Ela perseguiu, torturou e queimou na estaca dezenas de milhares de judeus. Agora, esses eventos são amplamente vistos como uma mancha na história de Portugal.
                Fonte: Ynet News