quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Judaísmo da Etiópia quase idêntico ao praticado no período do Segundo Templo


              O Dr. Yossi Ziv tem pesquisado os rituais religiosos da população judaica etíope que ainda vive na Etiópia e descobriu que eles mantiveram os mesmos costumes e tradições que os judeus do período do Segundo Templo, pelos últimos dois mil anos.
              “É conhecimento que não está escrito em nenhum lugar e que tem sido preservado em suas tradições”, afirma a pesquisa.
              “Eles têm preservado costumes antigos que desapareceram do mundo. Eles fornecem exemplos de como líderes da nação de Israel se comportavam na época do Segundo Templo.”
              O professor divulgou suas descobertas em um seminário que aconteceu na Escola Kfar Etzion, logo antes do feriado judaico etíope de Sigid.
Anciãos israelenses etíopes no ritual de Sigid, em Jerusalém.

              Ziv disse que muitos costumes judaicos etíopes vão contra a prática judaica moderna, mas estão perfeitamente alinhados com os rituais e costumes descritos nos rolos encontrados nas cavernas de Qumran e em livros datados da época do Segundo Templo. Nas cavernas de Qumran foram encontrados os Manuscritos do Mar Morto, que incluem a terceira Bíblia Hebraica mais antiga já encontrada.
              Alguns desses costumes da época do Segundo Templo incluem não acender as velas do Shabat, aderindo a uma antiga tradição que proibia o acendimento de fogo mesmo antes de o Shabat começar. Junto com isso, nenhuma chama poderia ser passada de um recipiente para o outro, mesmo se fosse antes do início do Shabat.
              “Eles não seguem a regra que diz que ‘as leis do Shabat podem ser desconsideradas com o propósito de salvar uma vida’, disse Ziv. “Para os judeus etíopes, a santidade do Shabat deve ser preservada mesmo se custar a vida de um ser humano.
              Evidências dessa rigorosa observância do Shabat podem ser encontradas nos Manuscritos do Mar Morto.
              Ziv acrescentou que havia diferentes facções de judeus vivendo durante o período do Segundo Templo – os fariseus, os saduceus, os essênios e os zelotes. Todos viviam de acordo com diferenças crenças e rituais. Os costumes e tradições judaicas hoje são na sua maioria de origem da tradição farisaica.
              Outro exemplo nas diferenças entre a principal corrente do judaísmo e o judaísmo etíope é quanto ao sexo no Shabat. De acordo com a tradição judaica moderna, relações conjugais não são apenas permitidas, mas também encorajadas no dia de descanso. Enquanto que no judaísmo etíope, sexo é proibido no Shabat, a fim de não contaminar o corpo. Exemplos dessa tradição etíope foram encontrados nos Manuscritos do Mar Morto.
              As discrepâncias entre as leis do judaísmo mais “moderno” e as leis do judaísmo etíope – conhecidas como Kessim – podem ser vistas em diferentes áreas da lei judaica.
              De acordo com o costume da principal corrente do judaísmo, pessoas de luto se abstem de cortar o cabelo e de se barbear por um período específico de tempo, enquanto a tradição etíope é para os enlutados cortarem os cabelos bem curtos e se barbearem – outra tradição que Ziv viu escrita em textos da época do Segundo Templo.
              “Depois de o profeta Jó ter recebido sua má notícia, está escrito que ele cortou seu cabelo. Também está escrito em algumas das palavras de Isaías e Ezequiel que os judeus cortavam seus cabelos curtos durante o período de luto”, disse Ziv.
Mulheres etíopes no festival de Sigid.
              Outra tradição proeminente do judaísmo etíope é a rigorosa observância das leis de purificação. Por exemplo, quando uma mulher está menstruada na sociedade judaica etíope, ela tem que morar em uma tenda específica fora do vilarejo até que ela se torne “pura” novamente, como é prescrito para ser feito nos Manuscritos do Mar Morto.
              Este ritual de purificação é outra razão pela qual o ritual da circuncisão não é realizado dentro das sinagogas etíopes. Portanto, as circuncisões são realizadas próximas à tenda das mulheres menstruadas e na maioria das vezes são feitas pelas mulheres. Apenas 40 dias depois de um menino nascer que a mãe pode retornar ao vilarejo. Se for uma menina, então a mãe tem que esperar 80 dias. A nomeação do bebê então ocorre no vilarejo.
              “Eles eram parte de nós, mas foram cortados”
              As diferenças entre os rituais e costumes do judaísmo tradicional e do judaísmo etíope enfraqueceram a autoridade dos líderes judeus etíopes depois que eles imigraram para Israel e até suscitou dúvida na judaicidade dos etíopes.
              No entanto, Ziv afirma que os costumes e tradições dos judeus etíopes e sua forte semelhança com  as tradições judaicas do período do Segundo Templo serve apenas para reforçar sua conexão com o judaísmo como um todo.
              “Estou convencido de que esta comunidade era parte da nação de Israel durante os tempos antigos, mas eles foram cortados. Não sabemos quando nem por que, mas aconteceu antes da tradição farisaica se tornar a principal tradição do judaísmo”, disse o Dr. Ziv.
              “Os judeus da Etiópia viveram em exílio e completo isolamento do resto da nação de Israel. No entanto, eles continuaram a guardar as tradições de nossos patriarcas até os dias de hoje.”

              Fonte: Ynet News