terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Conferência de Paz em Paris: mensagem errada, hora errada, local errado


              Semana passada, várias capitais europeias foram gentis o suficiente ao hastear a bandeira de Israel como forma de mostrar solidariedade após o ataque com o caminhão em Jerusalém. Enquanto ficamos felizes em ver nossa bandeira sendo levantada, os europeus infelizmente provaram mais uma vez que não são nem um pouco confiáveis. O gesto de empatia é completamente contraditório à política destrutiva que eles estão liderando contra Israel.
              Apenas algumas semanas atrás, os franceses e os britânicos levantaram suas mãos a favor de uma resolução anti-Israel no Conselho de Segurança da ONU e neste domingo eles convocaram os países do mundo, em Paris, para outra marcha insensata destinada a reforçar o conteúdo da resolução, sob o título enganoso de uma conferência para promover a paz. A conferência de Paris está transmitindo a mensagem errada, no tempo errado e no local errado.


              A mensagem: a conferência não mudará nada de fato. Assim como nada mudou de fato após a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, que reconheceu os palestinos como um estado não-membro observador. Tudo o que vai fazer é aumentar as expectativas, que irão apenas aumentar a frustração e a violência. Albert Einstein definiu a “insanidade” como fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes. Quando a comunidade internacional irá finalmente perceber que as conquistas unilaterais dos palestinos, repetidas vezes, é o caminho errado?
              Além da etiqueta, dos fogos de artifícios e dos croissaints crocantes, falta a essa conferência um conteúdo real. Conferências internacionais destinam-se a servir como um envelope no qual cada lado trabalha para chegar a um acordo, enquanto eles seguram as negociações diretas. Foi assim em Madri, Oslo e Camp David. O trabalho da comunidade internacional é prover incentivos a ambos os lados a fim de que eles negociem diretamente e deixar claro para eles que sem negociações, os dois irão perder, mas parece que está fazendo tudo, menos isso.
              É esperado que a conferência reforce a absurda resolução do Conselho de Segurança, o que encoraja o boicote a Israel e determina, entre outras coisas, que o Muro das Lamentações, o bairro de Gilo e outros lugares são ocupações em território palestino. Claro que a conferencia não irá lidar com os reais obstáculos à paz, como a recusa dos palestinos em reconhecer Israel como um Estado judaico, então seu resultado é como uma crônica anunciada. Ao invés de trazer as partes para mais perto, irá afastá-las ainda mais da mesa de negociação, aumentando o impasse em que se encontram e encorajando a violência.
              A hora: a conferência de Paris está acontecendo na hora errada – apenas dias antes de uma nova administração assumir os Estados Unidos e com as eleições francesas se aproximando. Uma sobremesa fria e insípida trazida para Israel, como cortesia da administração de Obama, acompanhada de aperitivos improvisados da cozinha francesa, servida momentos antes do chefe ser substituído. O problema é que o chefe prefere continuar a se intrometer no assunto dos outros, ignorando completamente as outras panelas – como o genocídio na Síria, o terror interno na Europa e os problemas com imigração – que estão fervendo e transbordando, devido ao fogo alto embaixo deles.
              O local: Sim a uma conferência em Cairo, não a uma conferência em Paris. Não há dúvida que o processo de paz entre Israel e os palestinos tem que ser recomeçado, mas não na forma de uma conferência internacional sem sentido, mas através de uma conferência regional num formato “2+6” – na presença do Egito, Jordânia, Arábia Saudita, os estados do Golfo, Israel e os palestinos, mediado pelos Estados Unidos e Rússia, devido à transição de poder nos Estados Unidos e à nova dinâmica entre as potências mundiais. Tal conferência incluiria todas as peças chaves e poderia criar uma força de alavanca que permitiria que os palestinos voltassem à mesa de negociação, a qual eles abandonaram há mais de dois anos.
              Recomeçar o processo de paz requer um entendimento e uma real responsabilidade. É hora de a comunidade internacional perceber que a liderança palestina não precisa de um namorado americano-francês, mas de alguém que saberá movê-la e trazê-la de volta à mesa de negociação.

              Fonte: Ynet News