quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Um YOM KIPUR especial em Jerusalém

Em muitos aspectos esta foi uma semana muito intensa para nós aqui em Jerusalém. Somos extremamente gratos a Deus por nos proporcionar este tempo aqui em Israel, conhecendo pessoas, estudando muito e aprendendo a depender mais do Eterno. Foi também uma semana de refrigério e de muitas bênçãos, onde tivemos o privilégio de nos encontrarmos com amigos que muito nos ajudaram e nos motivaram a darmos o nosso melhor em nosso trabalho aqui em Israel. Agradecemos de coração ao Pr. Gustavo e a Ana Paula pelo maravilhoso tempo que passamos juntos, e com muita alegria pudemos ver como Deus tem levantado este casal para despertar a Igreja no Brasil com relação à restauração de seu relacionamento com Israel e o povo judeu, de maneira equilibrada e saudável.

Judeus orando no dia de Yom Kipur - Maurycy Gottlieb, 1878

Rosh Há Shaná passou e em poucos momentos estaremos iniciando o jejum de Yom Kipur, o dia da expiação. São 24 horas sem beber e sem comer absolutamente nada, onde ficamos em constante oração e arrependimento não penas por nossos pecados individuais, mas principalmente pelos pecados de nosso povo como nação. Este é o objetivo principal de Yom Kipur, promover o arrependimento coletivo da nação de Israel. Cremos na importância de Yom Kipur para despertar não só em Israel como também na Igreja ao redor do planeta a necessidade de orarmos e pedirmos perdão ao Eterno pelos pecados de nossas nações perante o Senhor. Já imaginaram se a Igreja brasileira jejuasse e orasse uma vez por ano, unida e comprometida, pedindo perdão pelos pecados da nação e de seus governantes? Pois bem, Deus estipulou este dia de clamor por nossas nações e ele é chamado de Yom Kipur!

Desejo a todos um bom Yom Kipur e que nossas súplicas possam ser ouvidas por Deus. O mundo passa por uma crise não apenas econômica, mas também moral, que contribui para o distanciamento por parte das sociedades dos princípios e valores do Deus de Israel. Aliás, esta crise atual e muitas outras são fruto desse distanciamento. Daí a importância de nos arrependermos pelos pecados de nossos governantes e de nossa nação, clamando pela intervenção divina.

Shalom u’Vrachá Le culam (paz e bênçãos a todos),

MZandona

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Rosh Ha Shaná 5769

A celebração de Rosh há Shaná (literalmente: “cabeça ou primeiro do Ano”), marca o início do ano judaico e é celebrado no primeiro dia do mês de Tishrei. Na verdade, alguns rabinos dizem que Rosh Há Shaná é o aniversário da criação, e que estaríamos completando 5769 anos de existência. Já outros rabinos afirmam que esta contagem iniciou-se logo após o dilúvio, e que os anos desde a criação até o dilúvio podem se estender por milhares ou até milhões. Todos sabem que no calendário bíblico o ano novo começa com o 1° mês, o mês atual de Nissan (geralmente em março/abril), com a festa da Páscoa como marco. Mas após o exílio na Babilônia, a contagem dos meses sofre alteração cronológica e nominal, e o primeiro mês passa a ser o sétimo (Tishrei). O dia da Trombeta, ou Yom Teruá, é celebrado no 1° dia do 7° mês, com grande convocação e toque do shofar (Lv 23:24-25).

Rosh Há Shaná é a única festa celebrada onde não há a explicação clara, da parte do Eterno, sobre sua origem ou memorial. Todas as festas no calendário judaico estão associadas a eventos ou à preservação da memória dos feitos do Eterno para com o nosso povo, tal como Páscoa (Libertação do Egito), Shavuôt (dádiva da Lei no Sinai) e Sucôt (lembrança da peregrinação no deserto). Mas Yom Teruá (Rosh Há Shaná) não é conectada a nenhum feito ou evento histórico na Torá. Muitos rabinos crêem que Yom Teruá é uma festa que anuncia o retorno do Messias, sendo o toque do Shofar um aviso para que Israel e as nações se preparem para recebê-lo.

Judeu ortodoxo toca o Shofar no Kotel, na madrugada de Rosh Ha Shaná

Como Yom Kipur (dia da expiação) é celebrado 10 dias após Rosh Há Shaná, dizemos que Rosh Há Shaná marca o início do juízo do Eterno sobre a criação, sendo o dia de Yom Kipur o dia do veredicto. Assim, os 10 dias entre Rosh Há Shaná e Yom Kipur são conhecidos como “os 10 dias temíveis” ou “Iamim Noraim” e é um período de muita oração, súplica e arrependimento entre o povo judeu, com o toque do Shofar a cada serviço. Daí surge um dos comprimentos mais comuns durante estes dias: “Tikatev vê Taihatem” - “seja escrito e selado”. Desejamos isto pois cremos que o Eterno possui o Livro da Vida, e nele são escritos os nomes dos justos. Durante os 10 dias entre Rosh Há Shaná e Yom Kipur, estes nomes são “revisados” pelo Eterno, que o sela em Yom Kipur. A crença da existência deste “Livro da Vida” é proveniente da Lei Oral judaica e também pode ser encontrada nos escritos judaicos do Novo Testamento, onde há várias menções ao mesmo: Fp 4:3, Ap 3:5, 13:18, 17:8, 20:15, 21:17 e 22:19.

Começamos a celebração de Rosh Há Shaná com um maravilhoso jantar, acompanhado de algumas orações específicas para este dia. Comemos neste dia maças com mel como um símbolo do desejo de um ano novo doce e agradável a todos. A chalá (pão de shabat) que é usada no jantar de Rosh Há Shaná não é comprida, mas sim redonda, simbolizando o ciclo da vida que se renova a cada ano. Desde a antiguidade, estipulou-se que a celebração de Rosh Ha Shaná duraria 2 dias, pois no passado não havia certeza do dia específico (1° dia do 7° mês), em função de ser uma festa da lua nova. Assim, os dois dias de Rosh Há Shaná são passados quase sempre na sinagoga, onde tocamos o shofar e oramos um conjunto de orações específicas que estão agrupadas no Machzor (livro de orações para Rosh HÁ Shaná e Yom Kipur). Basicamente são orações de agradecimento, louvor e principalmente arrependimento. Neste dia, colocamos sobre o Aron Ha Kodesh (arca que contém o rolo da Torá) uma cortina branca, simbolizando a necessidade de termos um coração puro perante o Eterno.

A leitura da Torá é feita em Genesis capítulos 21 e 22, relatando o evento da “Akedá”, onde Abraão sobe com seu filho Isaque ao monte Moriá para sacrificá-lo. A Haftará que lemos é a história do profeta Samuel, seu nascimento e seu chamado sacerdotal (I Sm caps 1 – 3). É impossível estudarmos estas porções da Tanách e não notarmos uma palavra que é o tema central dos dois eventos: HINENI! Esta pequena palavra em hebraico expressa o que realmente sentimos e o que realmente estamos dispostos a fazer por amor ao nosso Deus: HINENI – EIS-ME AQUI! A expressão HINENI expressa nossa prontidão para obedecer e servir incondicionalmente ao nosso Criador. O sacerdote Eli instruí a Samuel: Hineni – Daber Adonai ki shomêa avdechá – Eis-me aqui! Fala Senhor pois está a ouvir teu servo!

AKEDÁ, representada por Laurent de La Hyre - 1650

Por isso, meu desejo para todos vocês neste ano novo que tem início nesta semana é que possamos ter o espírito de Abraão e o espírito de Samuel, servos verdadeiros que não se preocupavam apenas em crer em Deus, mas em obedecê-Lo de todo o coração, não importando as circunstancias. Tenho certeza que os que vivem o verdadeiro “HINENI”, terão seus nomes escritos e selados no Livro da Vida.

A Todos meu Chag Sameach e meu Shalom desde Jerusalém,

MZandona