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uma sinagoga em Iom Kipur.
No auge das orações,
o impensável acontece.
Na
época em que ainda havia Templo, o Iom Kipur era um dia cheio de rituais
sacerdotais dramáticos, como o destino de dois bodes, que era decidido por
sorteio e a oferta de sangue e o incenso
no Santo dos Santos, feito pelo Sumo Sacerdote. Na sinagoga hoje em dia, nada
disso acontece, é claro. Mas as orações não são menos dramáticas nem menos
elaboradas; na verdade, elas ensaiam o passo a passo dos rituais sacerdotais de
expiação do Sumo Sacerdote.
O
mais intenso e mais longo serviço de Iom Kipur é chamado Mussaf. Ele corresponde às ofertas e sacrifícios que eram trazidos
nos dias do Templo (veja Números 29:7-11).
A
intensidade do Mussaf atinge o clímax
durante a oração chamada Kedushá,
onde erguemos nossa voz juntamente com a multidão de anjos que estão
constantemente ao redor do trono de Deus, clamando: “Santo, Santo, Santo!”.
Dessa forma, santificamos o nome de Deus na terra assim como ele é santificado
nos céus por anjos.
Aqui, no Kedushá, é o momento onde você é pego de surpresa. O líder das
orações (chamado de chazan) de
repente começa a descrever como o Messias, através de seu intenso sofrimento,
traspasses e feridas, conquista o perdão pelos nossos pecados.
O rabino não se agita nem se
mostra surpreso. A congregação continua a orar com fervor, como se nada incomum
estivesse acontecendo. Isso é porque essa é uma porção de uma oração de Iom
Kipur chamada Az Milifnei Vereshit,
que tem sido recitada nas sinagogas por séculos.
A
passagem pode ser encontrada no volume dois do famoso Machzor Kol Bo:
Aqui
vai minha franca tradução, que você é livre para criticar:
Então, antes da criação,
Ele estabeleceu o Templo e o Yinnon.
O Talpiot acima desde o início
Ele preparou antes de qualquer povo ou língua.
Ele decidiu deixar sua presença morar ali,
Para guiar o errante no caminho reto.
Se o ímpio está avermelhado (pelo pecado)
Que ele se lave e seja limpo antes de tudo.
Se a ira feroz (de Deus) for incitada,
O Santo não vai despertar sua ira completa.
Até agora, nossa riqueza tem se esgotado,
Mas a nossa Rocha não nos tocou.
Nosso justo Messias se desviou de nós;
Temos agido como tolos e não ninguém para nos
justificar.
Nossas iniqüidades e o jugo das nossas transgressões
Ele carrega, e ele é traspassado por nossas
transgressões.
Ele carrega nossos pecados em seus ombros,
Para encontrar perdão para nossas iniquidades.
Pelas suas pisaduras fomos sarados,
Para sempre uma nova criatura; o tempo da sua criação.
Levante-o do círculo;
Erga-o para fora do Seir.
Para chamar-nos ao monte do Líbano
uma
segunda vez através Yinnon.
Esta oração desenvolve um
conceito encontrado na Gemara, em Pesachim 54a e Nedarim 39b:
“Sete coisas foram criadas antes de o mundo ser criado: a Torá, o
arrependimento, o Jardim do Éden, Gehenna, o trono de glória, o Templo e o nome
do Messias.” Essa oração também faz alusão à afirmação dos Sábios (Sanhedrin
98b) que Yinnon é um dos nomes do Messias (baseado na interpretação criativa do
Salmo 72:17).
O tema do Messias sofredor
encontrado nessa oração não só é fortemente tirado de Isaías 53, mas também
está de acordo com vários textos midrásticos, em particular Pesikta Rabbati 36.
Outros blogueiros messiânicos também
deram destaque a essa oração, incluindo Digging com Darren e Rosh Pina Project,
apenas para descobrir comentaristas anti-missionários incrédulos. Seria essa uma oração tradicional e
legitimamente judaica? Com certeza foi inventada por missionários cristãos!
(Parte desta confusão se deve ao fato da única edição que possui esta oração em
inglês é a de 1931, traduzida pelo reverendo doutor A. Th. Phillips. Este não parece
ser um nome judaico.)
Mas eis que este piyut (poema
litúrgico) é encontrado em inúmeros Machzorim, incluindo:
- Machzor
Korban Aharon
- Machzor
Kol Bo
- Or
Zarua Latzaddik
- Machzor
Redelheim
- Machzor
Meir Einayim
- Machzor
Or Leyisrael
Um comentarista anônimo no blog
Rosh Pina exclamou que essa oração não existe no Machzor ArtScroll. Mas na
verdade existe, se você souber onde encontrá-la. Na página 534, uma nota diz, “A
maioria das congregações recitam o Kedushá Festivo e de Shabat padrão (abaixo);
algumas recitam uma versão maior (página 827). O que teria “aumentado” nesta versão,
nas páginas 827-829? É a oração Az Milifnei Vereshit (não traduzida,
é claro).
A existência e o uso dessa oração
não provam que Yeshua é o Messias e que os rabinos sempre souberam disso.
Antes, mostra que o conceito do sofrimento do Messias é intrínseco ao
pensamento histórico judaico. Os anti-missionários “colocam uma pedra diante do
cego”, por assim dizer, quando eles negam a ideia que o judaísmo ensina sobre o
sofrimento do Messias e o Seu perdão pelos nossos pecados.
Podemos entender essa reação,
no entanto. Yeshua tem sido descaracterizado por seus seguidores há séculos. Os
estudiosos judeus há muito tempo têm percebido a igreja cristã como uma extensão
do Império Romano, e como tal, dando continuidade ao legado de Esaú, o
antagonista de Israel. “Seir” nesta oração (a casa bíblica de Esaú/Edom) é uma
referência ao exílio romano atual. Os comentários sobre essa oração explicam
que “Erga-o para fora de Seir” significa “tirar Israel do exílio”. Mas eu acho
muito interessante que “o” também pode fazer referência ao Messias. Ele também
está no exílio, sentado às portas de Roma. É hora de Yeshua ser restaurado ao
seu próprio povo!
Autor: Aaron Eby
Autor: Aaron Eby
