Os
israelenses estão com dificuldade de engolir a nova campanha do Ministro da
Saúde: em nome de uma nutrição adequada, ele tem ido à guerra contra a amada tradição
de Hanuká da nação de devorar bolinhos carregados de açúcar, fritos em óleo e
recheados de geléia, ou sufganiot!
Como líder de um
poderoso partido político ultra-ortodoxo, Judaísmo Unido da Torá, o Ministro da
Saúde, Yaakov Litzman, considera-se o guardião das tradições judaicas. Mas por
outro lado, ele é um oficial da consciência saudável na missão de combater a
chamada “junk food” (comida que não é saudável) e a obesidade infantil.
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| Sufganiot em uma variedade de sabores. |
Os
dois papéis de Litzman entraram em conflito com sua convocação para evitar a tentação
de alta caloria do sufganiá.
“Eu convoco a
todos para evitar comerem sufganiot,
que é rico em gorduras”, disse Litzman em uma conferência semana passada,
promovendo a boa alimentação. “Você pode encontrar alternativas saudáveis para
tudo hoje em dia e não há necessidade de engordarmos nossas crianças.”
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| Ministro da Saúde, Yaakov Litzman. |
Como
parte de sua campanha de alimentação saudável, Litzman batalhou para remover
bebidas adoçadas das escolas e também foi contra gigantes da fast food, como o
McDonald’s – ganhando elogios do público
por promover uma nutrição adequada.
“McDonald’s
está fora. Não em nosso país”, disse ele, em um refrão que se tornou viral.
Mas
ir contra os sufganiot durante Hanuká
é outra história.
Para
a maioria dos israelenses, comer sufganiá
é algo essencial para celebrar Hanuká, como acender as velas da hanukia e
girar o dreidel.
Junto
com o latke – uma panqueca frita de
batatas – é a iguaria mais associada com a festa de oito dias que comemora milagres
antigos e o triunfo sobre a opressão. Assim como os antigos Macabeus, que
inspiraram o feriado, muitos estão resistindo à campanha de Litzman.
“Você
tem que comer, mas com moderação. É delicioso, é bom, é a época”, disse Gideon
Haba, um vendedor de sufganiot do
mercado Mahane Yehuda, em Jerusalém. “Eu não acredito que Litzman realmente ele
(Litzman) quis dizer isso. É como não acender as velas. Ele apenas queria
passar uma mensagem.”
Yosef
Lipsman, um consumidor comprando seu primeiro sufganiá do ano, disse que a tradição é inofensiva, se você não exagera.
“Farinha
branca não faz bem para você, mas tudo é questão de quantidade”, disse ele. “Você
pode comer de vez em quando.”
Hanuká,
também conhecida como Festa das Luzes, comemora a revolta dos judeus no século
dois a.C. contra o reino grego-sírio, que tento forçar sua cultura aos judeus e
profanou o Templo Judaico em Jerusalém. A festa dura oito dias porque, segundo
a tradição, quando os judeus rededicaram o Templo em Jerusalém, um frasco de
óleo que era para durar apenas um dia, queimou durante oito dias.
Por
isso a tradição de se comer comida engordurada.
O
sufganiá é essencialmente uma bolinha
de massa frita em óleo, tradicionalmente recheada com geleia de morango e polvilhada
com açúcar. Outras versões são alternativamente recheadas com creme de
chocolate, capuchino ou doce de leite.
Nos
últimos anos, virou moda as confeitarias oferecerem versões decoradas com
marshmallows, pedacinhos de biscoito, pralines, balas e chantili. Algumas
incluem uma seringa onde você pode injetar caramelo, creme de pistache e até
vodka no sufganiá, para uma emoção extra.
Essas
adições criaram um sufganiá de 100g
que contém até 500 calorias.
O
Burger King recentemente entrou na dança e apresentou seu “SufganiKing” – um whopper
padrão servido entre dois sufganiot.
No
Roladin, uma famosa confeitaria de Jerusalém, dúzias de versões elaboradas são vendidas
todos os anos.
“Eles
podem ser gordurosos... mas são uma delícia. Por isso são tão gostosos”, disse
Haim Newman, um consumidor. “Minha família vem de uma longa tradição de
confeiteiros e meu pai sempre diz o que seu avô dizia pra ele: ‘se você quiser
algo bom, tem que engordar’”.
Fonte: Ynet News



