Semana
passada, várias capitais europeias foram gentis o suficiente ao hastear a
bandeira de Israel como forma de mostrar solidariedade após o ataque com o caminhão
em Jerusalém. Enquanto ficamos felizes em ver nossa bandeira sendo levantada,
os europeus infelizmente provaram mais uma vez que não são nem um pouco
confiáveis. O gesto de empatia é completamente contraditório à política
destrutiva que eles estão liderando contra Israel.
Apenas
algumas semanas atrás, os franceses e os britânicos levantaram suas mãos a
favor de uma resolução anti-Israel no Conselho de Segurança da ONU e neste
domingo eles convocaram os países do mundo, em Paris, para outra marcha
insensata destinada a reforçar o conteúdo da resolução, sob o título enganoso
de uma conferência para promover a paz. A conferência de Paris está
transmitindo a mensagem errada, no tempo errado e no local errado.
A mensagem: a conferência não mudará
nada de fato. Assim como nada mudou de fato após a resolução da Assembleia
Geral das Nações Unidas, que reconheceu os palestinos como um estado não-membro
observador. Tudo o que vai fazer é aumentar as expectativas, que irão apenas
aumentar a frustração e a violência. Albert Einstein definiu a “insanidade”
como fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes. Quando
a comunidade internacional irá finalmente perceber que as conquistas
unilaterais dos palestinos, repetidas vezes, é o caminho errado?
Além
da etiqueta, dos fogos de artifícios e dos croissaints crocantes, falta a essa
conferência um conteúdo real. Conferências internacionais destinam-se a servir
como um envelope no qual cada lado trabalha para chegar a um acordo, enquanto
eles seguram as negociações diretas. Foi assim em Madri, Oslo e Camp David. O
trabalho da comunidade internacional é prover incentivos a ambos os lados a fim
de que eles negociem diretamente e deixar claro para eles que sem negociações,
os dois irão perder, mas parece que está fazendo tudo, menos isso.
É
esperado que a conferência reforce a absurda resolução do Conselho de
Segurança, o que encoraja o boicote a Israel e determina, entre outras coisas,
que o Muro das Lamentações, o bairro de Gilo e outros lugares são ocupações em território
palestino. Claro que a conferencia não irá lidar com os reais obstáculos à paz,
como a recusa dos palestinos em reconhecer Israel como um Estado judaico, então
seu resultado é como uma crônica anunciada. Ao invés de trazer as partes para
mais perto, irá afastá-las ainda mais da mesa de negociação, aumentando o
impasse em que se encontram e encorajando a violência.
A hora: a conferência de Paris está
acontecendo na hora errada – apenas dias antes de uma nova administração assumir
os Estados Unidos e com as eleições francesas se aproximando. Uma sobremesa
fria e insípida trazida para Israel, como cortesia da administração de Obama,
acompanhada de aperitivos improvisados da cozinha francesa, servida momentos
antes do chefe ser substituído. O problema é que o chefe prefere continuar a se
intrometer no assunto dos outros, ignorando completamente as outras panelas –
como o genocídio na Síria, o terror interno na Europa e os problemas com imigração
– que estão fervendo e transbordando, devido ao fogo alto embaixo deles.
O local: Sim a uma conferência em
Cairo, não a uma conferência em Paris. Não há dúvida que o processo de paz
entre Israel e os palestinos tem que ser recomeçado, mas não na forma de uma
conferência internacional sem sentido, mas através de uma conferência regional
num formato “2+6” – na presença do Egito, Jordânia, Arábia Saudita, os estados
do Golfo, Israel e os palestinos, mediado pelos Estados Unidos e Rússia, devido
à transição de poder nos Estados Unidos e à nova dinâmica entre as potências
mundiais. Tal conferência incluiria todas as peças chaves e poderia criar uma
força de alavanca que permitiria que os palestinos voltassem à mesa de negociação,
a qual eles abandonaram há mais de dois anos.
Recomeçar
o processo de paz requer um entendimento e uma real responsabilidade. É hora de
a comunidade internacional perceber que a liderança palestina não precisa de um
namorado americano-francês, mas de alguém que saberá movê-la e trazê-la de
volta à mesa de negociação.
Fonte: Ynet News