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| Trump recebe Netanyahu: "Poderia viver com qualquer uma das soluções" |
O
presidente dos Estados
Unidos, Donald
Trump, abandonou nesta quarta-feira o compromisso tradicional
dos Estados Unidos com uma solução de dois Estados para resolver o conflito no Oriente Médio entre israelenses e palestinos.
Na coletiva de
imprensa conjunta na Casa Branca com o primeiro-ministro israelense, Benjamin
Netanyahu, Trump disse que seu governo poderá aceitar a criação de dois
Estados, mas também a de um único, se as duas partes estiverem de acordo.
Em um afastamento da
posição americana sobre o tema desde o governo de Bill Clinton, na década de
90, Trump reiterou que “poderia viver com qualquer uma das soluções”. “Por
muito tempo, pensei que a solução de dois Estados era a mais fácil. Mas,
honestamente, se Israel e os palestinos estão felizes, eu estou feliz com o que
eles preferirem”, declarou o presidente republicano.
Em mensagem direta a
seu interlocutor, Trump afirmou que gostaria que Israel contivesse o
avanço dos assentamentos em territórios palestinos. O
presidente americano afirmou que “os israelenses vão ter que mostrar que
realmente querem um acordo de paz”, mas destacou também que “os palestinos
têm que se despir um pouco do ódio que ensinam desde a tenra idade”. “Eles
ensinam muito ódio. É algo que eu tenho visto”, disse.
Trump
também criticou a Organização das Nações Unidas (ONU) por considerar que tratou
de “forma muito, muito injusta” quando o Conselho de Segurança aprovou no fim
de dezembro uma resolução que condenou os assentamentos israelenses.
O
presidente revelou que continua considerando a possibilidade de transferir a
embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. A ideia é fortemente criticada
pelos palestinos.
Reações
Na noite
de terça, dia 14, uma fonte do alto escalão do governo americano afirmou que
Washington não iria mais insistir na solução de dois Estados. “Isso é algo
que eles deverão resolver. Nós não vamos ditar quais serão os termos da paz”,
disse a fonte.
A
explosiva declaração significou um giro na política externa americana e
provocou uma onda de reações em todo o mundo. O secretário-geral das
Nações Unidas, Antonio Guterres, disse categoricamente que “se deve fazer todo
o possível para preservar” a possibilidade de uma saída de dois Estados.
Instantes
mais tarde, a França – membro permanente do Conselho de Segurança da ONU –
disse, por intermédio de seu embaixador François Delattre, que o compromisso de
seu país com a solução de dois Estados “é mais forte do que nunca”.
Em
Ramallah, nos Territórios Palestinos, Hanan Ashraui, um dirigente da
Organização para a Libertação da Palestina (OLP), comentou que a nova posição
americana “carece de sentido”. Washington “está tentando satisfazer a
coalizão extremista de Netanyahu”, afirmou.
Outro
alto funcionário palestino, Saeb Erekat, denunciou que a declaração se propõe a
“eliminar o Estado da Palestina”, antecipando que um eventual Estado único não
será necessariamente um Estado judaico.
A única
alternativa a uma solução de dois Estados, disse Erekat, é “um simples Estado
democrático que garanta os direitos de todos: judeus, muçulmanos e cristãos”.
Já a ala
mais extrema do governo israelense comemorou. “Uma nova era. Novas ideias
(…) Grande dia para os israelenses e os árabes razoáveis. Felicitações”, tuitou
o líder do partido nacionalista e religioso Lar Judaico, Naftali Bennet.
Fonte: Veja