Um grupo de especialistas
em genética e Halachá (lei religiosa judaica), que tem estudado o chamado “gene
judaico”, afirmam que o gene pode ajudar a provar a “judaicidade” de alguém, de
acordo com a lei religiosa judaica.
“Este pode ser um avanço
significativo”, explicou o Rabino Yosef Carmel, líder da corte rabínica Gazit e
do Instituto de Estudos Judaicos Avançados Eretz Hemdah. De acordo com Carmel, “o
uso de um simples teste de saliva pode impedir um longo e difícil processo de conversão”.
Qualquer pessoa que
deseja ser reconhecida como judeu – por exemplo, a fim de se casar no Estado de
Israel, o que apenas pode ser realizado através do Rabinato Chefe – tem que
provar suas raízes judaicas. Na lei religiosa judaica, apenas aqueles nascidos
de mães judias são considerados judeus. Aqueles que desejam ser reconhecidos
como judeus têm que providenciar prova de judaicidade através de documentos,
como certidões de nascimento e casamento, de várias gerações passadas.
Isso pode ser um
problema para mais de 400.000 pessoas, particularmente imigrantes e
principalmente da antiga União Soviética, que não possuem os documentos necessários.
As pessoas que não conseguem
provar suas raízes judaicas são consideradas “indefinidas”, e tais candidatos
têm que se submeter a um longo e tedioso processo de conversão, o qual alguns gostariam
de evitar e muitos não conseguem completar.
Atualmente, o
Instituto Eretz Hemdah está preparando um artigo para ser submetido ao Rabinato
Chefe detalhando um avanço haláchquico-científico, onde atesta que qualquer
pessoa que consegue provar sua judaicidade geneticamente é legalmente (no senso
legal judaico) judeu.
“Nos últimos anos,
(pesquisadores) em Israel e no mundo têm estudado o DNA mitocondrial –
estruturas dentro das células – que a pessoa recebe de sua mãe”, explicou o
Rabino Dov Popper, um conselheiro do Instituto Puah, uma organização
internacional baseada em Israel que ajuda casais judeus com problemas de
fertilidade.
“Podemos encontrar
esse gene com um simples exame de sangue ou de saliva. Assim que você encontra
o gene mitocondrial em uma pessoa, isso serve como uma peça considerável de
evidência que prova sua raiz judaica”, disse o Rabino Popper.
“Se a pesquisa do
gene for aceita pelo Rabinato Chefe, isso poderia ser uma mudança significativa
para centenas de milhares de pessoas que são consideradas ‘indefinidas’”, disse
o Rabino Carmel.
O avanço será
apresentado em uma conferência especial sediada pelo Instituto Puah, em
Jerusalém, no dia 6 de junho.
“Começamos a
pesquisar sobre isso por causa da questão da doação de óvulos e as ramificações
que teria na judaicidade do recém-nascido”, explicou o Rabino Menachem
Burstein, diretor do Instituto Puah.
“No entanto, é
importante notar que essa descoberta não terá uso prático até ser aprovada pelo
Rabinato Chefe”, acrescentou.
Fonte: Ynet News


