Em 1979, durante a escavação de uma antiga tumba da Idade do Ferro (século
VII A.C.), num cemitério fora de Jerusalém, em Ketef Hinnom, o arqueologista
Gabriel Barkay descobriu dois pequenos rolos de prata – do diâmetro de uma
moeda – que eram usados originalmente como amuletos em volta do pescoço. Quando
os pesquisadores do Museu de Israel, em Jerusalém, desenrolaram as folhas de
prata, eles detectaram finas linhas de um antigo alfabeto hebraico escritos nelas.
Fotografias de alta resolução dos escritos miniaturas foram tiradas em 1994
pelo Projeto de Pesquisa Semítica do Oeste, na Universidade do Sul da
Califórnia, dando aos pesquisadores a oportunidade de estudar e decifrar o texto
em hebraico dos antigos amuletos. Quando eles finalmente conseguiram ler a
escrita arcaica, os pesquisadores descobriram que as inscrições, datadas dos séculos
VI a VIII A.C., continham bênçãos similares à de Números 6:24-26.
A escrita em
miniatura nos pergaminhos de prata claramente não era para ser lida – as letras
eram muito pequenas e o escrito ficavam escondidos dentro dos rolos. Se este era
o caso, a que propósito eles serviam? Em “Palavras
não vistas: O Poder da Escrita Escondida”, na edição de janeiro / fevereiro de 2018 da Revista de Arqueologia
Bíblica, o estudioso da Bíblia hebraica Jeremy D. Smoak discute o que esses
amuletos antigos de Ketef Hinnom podem nos falar sobre a religião na Judá
antiga.
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| Amuletos encontrados em Ketef Hinnom desenrolados. |
Na descoberta, o amuleto 1 tinha 2,5cm de
altura e 1cm de diâmetro; desenrolado, o pergaminho media 9,5cm de altura e 2,5cm
de largura. O amuleto 2 tinha 1,3cm de altura e 0,5cm de diâmetro; desenrolado,
o rolo tinha uma altura de 3,8cm e 1cm de largura. O segundo pergaminho
continha cerca de 100 palavras distribuídas em 12 linhas de texto – assim, a
pessoa que inscrevera o texto era capaz de fazer caber tudo isso em uma folha
de prata do comprimento de um palito de fósforo.
Além de conter bênçãos
similares à de Números 6:24-26, as inscrições são iluminadoras pelo que revelam
sobre a divindade de YHVH, bem como a mágica supersticiosa do amuleto na Idade
do Ferro em Judá. Como Smoak escreve: “O
Amuleto 1 se refere a YHVH como aquele que demonstra benevolência com aqueles que
o ama e guardam Seus mandamentos. Essa expressão mostra um estreito paralelo
com várias passagens bíblicas (Deuteronômio 7:9, Neemias 1:5, Daniel 9:4). O
Amuleto 2 se refere a YHVH como a divindade que tem o poder de expelir o mal.
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| Amuleto 1. |
Como os amuletos de Ketef Hinnom continham
pequenas inscrições que não eram destinadas à leitura, Smoak analisa mais
profundamente o significado de escritas miniaturas: “Miniaturas – especialmente aquelas usadas no corpo humano – criam um
senso de intimidade, de privacidade e de tempo pessoal entre o corpo e o
objeto. Tais objetos se tornam parte da rotina diária e do estilo de vida do
indivíduo. Por serem leves, eles podem ficar pendurados ao pescoço, como se
fizessem parte do corpo. No caso de textos em miniaturas em joias, significa que
mesmo que o escrito possa estar invisível ou fora do alcance da visão, as
palavras estão sempre ao alcance da mente de quem usa o amuleto, uma vez que o
escrito interage com o corpo em um nível físico. Enquanto a joia fica
pendurada, balança e volta para o corpo, as palavras escritas em sua superfície
são reproduzidas na mente.
Os curadores do Museu
de Israel chamaram “As Revelações de Gabriel”o documento mais importante
encontrado nesta área desde o descobrimento dos Rolos do Mar Morto.
Fonte:
Biblicalarqueology.org



