Escavações em Jerusalém
desenterraram o que poderia ser a primeira evidência extra bíblica do profeta
Isaías. Ao sul do Monte do Templo, nas escavações de Ophel, a arqueóloga Eilat
Mazar e sua equipe descobriram um pequeno selo impresso onde estava escrito “[pertence]
a Isaías nvy”. A parte de cima da impressão
está faltando e a parte esquerda está danificada. Ao reconstruir umas letras em
hebraico nesta área danificada, causaria a impressão de se poder ler “[pertencente]
a Isaías, o profeta”. Se a reconstrução se mantiver, esta pode ser a assinatura
do profeta bíblico Isaías – o mesmo que encontramos em 2 Reis 2, 2 Crônicas e
no livro de Isaías. Eilat Mazar, da Universidade Hebraica de Jerusalém,
anunciou essa emocionante descoberta em seu artigo “É esta a assinatura do profeta
Isaías?”, publicado na edição especial de março/abril/maio/junho da revista Biblical Archaeology Review.
A equipe de Mazar
encontrou o selo impresso em uma área de ruínas da idade do ferro (datadas do
século VIII e VII a.C.), do lado de fora do muro sudeste da padaria real, uma
estrutura que fora integrada às fortificações da cidade e operara até a destruição
babilônica de Jerusalém, em 586 a.C. Todo o material escavado dessa área de
Ophel foi peneirado e lavado, simultaneamente. Esse processo revelou múltiplos
achados, incluindo o selo impresso com a assinatura de Isaías e uma impressão de
Ezequias, rei de Judá, que não seriam descobertos no método tradicional de escavação.
Uma vez que esses selos tem o diâmetro de mais ou menos 2cm e são da mesma cor
da terra, é fácil entender porque eles não foram descobertos no sítio.
O selo impresso de
Isaías – também chamado de bula – foi criado colocando um pedaço macio de barro
em cima de uma ligadura amarrada em torno de um saco de linho. O selo de Isaías
foi então pressionado sobre a argila, selando assim o pacote com a assinatura
pessoal de Isaías. A argila endureceu e sobreviveu ao longo dos séculos,
preservando assim a assinatura de Isaías.
Apesar da maior parte da metade superior da bula
de Isaías estar desaparecida e seu lado esquerdo estar danificado, os
arqueólogos conseguiram identificar suas imagens e inscrições do que restou. A
bula é dividida em três registros. Uma parte de uma corça pastando, o símbolo
de uma bênção, pode ser visto na parte de cima. Escrito em hebraico antigo, o
nome de Ieshaiahu (Isaías em hebraico) aparece no meio do registro e as letras nvy são visíveis na parte inferior do
selo. Se a letra alef fosse
acrescentada no final da palavra nvy,
se tornaria a palavra navy, que quer
dizer profeta em hebraico. É provável que a letra vav aparecia no final do registro do meio, representando a letra final
do nome de Isaías, em hebraico. Além do mais, se a letra hei, que representa o artigo definido em hebraico, fosse
acrescentada ao final do nome de Isaías (depois do vav), a impressão no selo seria “[pertencente] a Isaías, o profeta”.
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| Bula de Isaías. |
“Porque a bula está um pouco danificada no
final da palavra nvy, não sabemos se
originalmente terminava com a letra hebraica alef, explica Mazar, “o que resultaria na palavra hebraica para profeta,
o que definitivamente identificaria o selo como sendo a assinatura do profeta
Isaías. A falta dessa letra final, no entanto, nos exige deixar em aberto a
possibilidade que poderia ser apenas o nome Navi. O nome de Isaías, por outro
lado, está claro.”
A próxima relação entre o profeta Isaías e o rei
Ezequias pode ser vista na Bíblia hebraica. Ezequias, que reinou entre 727-698
a.C., baseara-se nos conselhos de Isaías durante todo o seu reinado.
Especialmente quando Jerusalém fora sitiada pelos assírios.
Quando Ezequias assumiu o trono, com a idade de
25 anos, Judá era um estado vassalo do império assírio e pagava impostos à Assíria
regularmente. Ezequias seguiu esse protocolo por muitos anos, mas eventualmente
ele se rebelou e parou de pagar os tributos. Antecipando um ataque assírio, Ezequias
fortificou Jerusalém. Ele reforçou seus muros e, memoravelmente, cavou um túnel
de 500m de comprimento em rocha sólida, que garantiu que os habitantes de
Jerusalém não ficariam sem água durante o cerco (2 Crônicas 32:2-4).
O rei assírio Senaqueribe
respondeu à rebeldia de Eequias com força. Ele batalhou contra Judá,
destruindo muitas cidades, como Laquis (retratado nos relevos de Laquis,
painéis do palácio de Senaqueribe, em Nínive, agora exposto no British Museum,
em Londres) e, finalmente, sitiando a capital Jerusalém, em 701 a.C.
O profeta Isaías disse que Jerusalém não cairiam
perante os assírios, e realmente não caiu, apesar do poder militar dos
assírios. A vitória ajudou a solidificar a ideia de invencibilidade da cidade.
Até nos prismas de Senaqueribe, onde o rei Senaqueribe registrava suas
vitórias, nunca houve um registro de conquista de Jerusalém – apenas de haver
sitiado a cidade, recebido impostos e prendido Ezequias como “um pássaro em uma
gaiola”. 2 Reis 18:13-19:36 registra que os assírios continuaram a atacar
Jerusalém, mesmo após Ezequias pagar os impostos; eles não recuaram até Deus
enviar uma praga entre eles. Os prismas de Senaqueribe não mencionam a praga em
momento algum.
O selo impresso de Isaías e do rei Ezequias
foram encontrados em menos de 3m de distância um do outro, nas escavações de
Ophel. Se a bula identificada recentemente pertencer de fato ao profeta Isaías,
parece apropriado que seja encontrado tão perto da impressão pessoal do selo de
Ezequias. Seus legados, juntos, continuam mesmo após suas mortes.
Fonte:
biblicalarchaeology.org


