terça-feira, 13 de março de 2018

Netanyahu está programado para vir ao Brasil em junho/2018


O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deverá fazer uma visita histórica ao Brasil em junho, o embaixador em Brasília, Yossi Shelley, disse ao Jerusalem Post nesta terça-feira, depois que Netanyahu se encontrou com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Desde que Netanyahu visitou a Argentina, a Colômbia e o México em setembro do ano passado, nenhum primeiro-ministro israelense havia estado na América Latina. Netanyahu tem falado sobre uma visita ao Brasil por meses, e Nunes o convidou formalmente durante a reunião.
                Shelley disse que Netanyahu aceitou o convite, mas condicionou-o à atualização do acordo comercial entre os dois países, que deverá ser concluído até então. Netanyahu, segundo o gabinete do primeiro-ministro, expressou o desejo de melhorar a cooperação bilateral e disse que Israel está muito interessado em laços com o Brasil e acredita que eles têm um grande potencial.


                A visita de Nunes é um sinal de um aquecimento significativo dos laços entre os dois países, que começou quando o presidente Michel Temer assumiu o cargo, em agosto de 2016, depois que sua antecessora, Dilma Rousseff, foi acusada e removida do cargo.
                Tanto o mandato de Rousseff quanto o de seu antecessor, o presidente Luiz Inácio "Lula" da Silva, foram marcados pela tensão com Jerusalém que atingiu o pico quando o Brasil se recusou a aceitar a nomeação de Netanyahu de Dani Dayan como embaixador de Israel, porque ele era um ex-líder de assentamento que morava além da Linha Verde.
                “Esse assunto são águas passadas”, disse Shelley.
                Enquanto o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, veio em Israel brevemente para o funeral de Shimon Peres em 2016, esta é a primeira visita de trabalho de um ministro das Relações Exteriores brasileiro desde 2010, quando Lula veio acompanhado de vários membros do gabinete, incluindo o ministro das Relações Exteriores.
                Nunes é o oficial brasileiro de maior ranking a visitar Israel desde então. Após um longo período de quase nenhuma visita de alto nível do Brasil, houve quatro visitas ministeriais desde que Temer assumiu o cargo.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Ofir Akunis, está programado para viajar para o Brasil na quarta-feira, fazendo-o - de acordo com Shelley - o primeiro membro do gabinete israelense a visitar o Brasil em quatro anos.
O Brasil realizará as eleições em outubro e - de acordo com Shelley - cada um dos principais candidatos seria tão disposto a reaproximar de Israel como Temer, o que significa que os laços entre os dois países deverão continuar a se fortalecer.
Shelley disse que o Brasil, como a Índia, a China e a Rússia, está interessado em aproveitar os conhecimentos tecnológicos e agrícolas de Israel, especialmente porque a agricultura é uma grande parte da economia brasileira, e o país enfrenta um grave problema de água no nordeste.
Além de conhecer Netanyahu, Nunes também se encontrou com o presidente Reuven Rivlin e disse que sua visita foi feita para "reafirmar nossa amizade e cooperação em uma série de questões. Poderíamos estar fazendo muito mais. "
Durante sua visita, Nunes também viajará para Ramallah para reuniões com funcionários palestinos.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Descoberta a assinatura de Isaías em Jerusalém



              Escavações em Jerusalém desenterraram o que poderia ser a primeira evidência extra bíblica do profeta Isaías. Ao sul do Monte do Templo, nas escavações de Ophel, a arqueóloga Eilat Mazar e sua equipe descobriram um pequeno selo impresso onde estava escrito “[pertence] a Isaías nvy”. A parte de cima da impressão está faltando e a parte esquerda está danificada. Ao reconstruir umas letras em hebraico nesta área danificada, causaria a impressão de se poder ler “[pertencente] a Isaías, o profeta”. Se a reconstrução se mantiver, esta pode ser a assinatura do profeta bíblico Isaías – o mesmo que encontramos em 2 Reis 2, 2 Crônicas e no livro de Isaías. Eilat Mazar, da Universidade Hebraica de Jerusalém, anunciou essa emocionante descoberta em seu artigo “É esta a assinatura do profeta Isaías?”, publicado na edição especial de março/abril/maio/junho da revista Biblical Archaeology Review.
              A equipe de Mazar encontrou o selo impresso em uma área de ruínas da idade do ferro (datadas do século VIII e VII a.C.), do lado de fora do muro sudeste da padaria real, uma estrutura que fora integrada às fortificações da cidade e operara até a destruição babilônica de Jerusalém, em 586 a.C. Todo o material escavado dessa área de Ophel foi peneirado e lavado, simultaneamente. Esse processo revelou múltiplos achados, incluindo o selo impresso com a assinatura de Isaías e uma impressão de Ezequias, rei de Judá, que não seriam descobertos no método tradicional de escavação. Uma vez que esses selos tem o diâmetro de mais ou menos 2cm e são da mesma cor da terra, é fácil entender porque eles não foram descobertos no sítio.
              O selo impresso de Isaías – também chamado de bula – foi criado colocando um pedaço macio de barro em cima de uma ligadura amarrada em torno de um saco de linho. O selo de Isaías foi então pressionado sobre a argila, selando assim o pacote com a assinatura pessoal de Isaías. A argila endureceu e sobreviveu ao longo dos séculos, preservando assim a assinatura de Isaías.
Apesar da maior parte da metade superior da bula de Isaías estar desaparecida e seu lado esquerdo estar danificado, os arqueólogos conseguiram identificar suas imagens e inscrições do que restou. A bula é dividida em três registros. Uma parte de uma corça pastando, o símbolo de uma bênção, pode ser visto na parte de cima. Escrito em hebraico antigo, o nome de Ieshaiahu (Isaías em hebraico) aparece no meio do registro e as letras nvy são visíveis na parte inferior do selo. Se a letra alef fosse acrescentada no final da palavra nvy, se tornaria a palavra navy, que quer dizer profeta em hebraico. É provável que a letra vav aparecia no final do registro do meio, representando a letra final do nome de Isaías, em hebraico. Além do mais, se a letra hei, que representa o artigo definido em hebraico, fosse acrescentada ao final do nome de Isaías (depois do vav), a impressão no selo seria “[pertencente] a Isaías, o profeta”.  
Bula de Isaías.

“Porque a bula está um pouco danificada no final da palavra nvy, não sabemos se originalmente terminava com a letra hebraica alef, explica Mazar, “o que resultaria na palavra hebraica para profeta, o que definitivamente identificaria o selo como sendo a assinatura do profeta Isaías. A falta dessa letra final, no entanto, nos exige deixar em aberto a possibilidade que poderia ser apenas o nome Navi. O nome de Isaías, por outro lado, está claro.”
A próxima relação entre o profeta Isaías e o rei Ezequias pode ser vista na Bíblia hebraica. Ezequias, que reinou entre 727-698 a.C., baseara-se nos conselhos de Isaías durante todo o seu reinado. Especialmente quando Jerusalém fora sitiada pelos assírios.
Quando Ezequias assumiu o trono, com a idade de 25 anos, Judá era um estado vassalo do império assírio e pagava impostos à Assíria regularmente. Ezequias seguiu esse protocolo por muitos anos, mas eventualmente ele se rebelou e parou de pagar os tributos. Antecipando um ataque assírio, Ezequias fortificou Jerusalém. Ele reforçou seus muros e, memoravelmente, cavou um túnel de 500m de comprimento em rocha sólida, que garantiu que os habitantes de Jerusalém não ficariam sem água durante o cerco (2 Crônicas 32:2-4).
O rei assírio Senaqueribe respondeu à rebeldia de Eequias com força. Ele batalhou contra Judá, destruindo muitas cidades, como Laquis (retratado nos relevos de Laquis, painéis do palácio de Senaqueribe, em Nínive, agora exposto no British Museum, em Londres) e, finalmente, sitiando a capital Jerusalém, em 701 a.C.
O profeta Isaías disse que Jerusalém não cairiam perante os assírios, e realmente não caiu, apesar do poder militar dos assírios. A vitória ajudou a solidificar a ideia de invencibilidade da cidade. Até nos prismas de Senaqueribe, onde o rei Senaqueribe registrava suas vitórias, nunca houve um registro de conquista de Jerusalém – apenas de haver sitiado a cidade, recebido impostos e prendido Ezequias como “um pássaro em uma gaiola”. 2 Reis 18:13-19:36 registra que os assírios continuaram a atacar Jerusalém, mesmo após Ezequias pagar os impostos; eles não recuaram até Deus enviar uma praga entre eles. Os prismas de Senaqueribe não mencionam a praga em momento algum.
O selo impresso de Isaías e do rei Ezequias foram encontrados em menos de 3m de distância um do outro, nas escavações de Ophel. Se a bula identificada recentemente pertencer de fato ao profeta Isaías, parece apropriado que seja encontrado tão perto da impressão pessoal do selo de Ezequias. Seus legados, juntos, continuam mesmo após suas mortes.

Fonte: biblicalarchaeology.org