sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Shalom amigos!

Não poderia deixar de anunciar a descoberta do escrito hebraico mais antigo do mundo! Ele foi descoberto nesta quinta-feira por arqueólogos da Hebrew University durante escavações no vale de Elah, onde David derrotou Golias. O escrito ainda está sendo traduzido, mas testes já indicam que o mesmo possui 3000 anos de idade, ou seja, 1000 anos mais antigos do que os textos do Mar Morto. O arqueólogo chefe da pesquisa, Yosef Garfinkel, acredita que o pedaço de barro onde o texto foi encontrado era parte de registros sobre o reinado de Davi em Jerusalém, e vários outros artefatos encontrados comprovam a opinião do professor Garfinkel. Mais uma vez, vemos a arqueologia comprovando os relatos bíblicos e atestando a soberania judaica sobre Israel e sobre Jerusalém. Como escrevi para vocês em um artigo anterior, este tipo de descoberta se tornará comum a partir de agora. Deus está restaurando o legado perdido entre Israel e o povo Judeu. Mais provas serão encontradas, para o desespero dos anti-semitas e dos que crêem que os judeus não possuem vínculo algum com a terra de Israel. Estes são dias incríveis!

Professor Yosef Garfinkel exibe o texto hebraico mais antigo já encontrado: 1000 a.C.


Um abençoado Shabat Shalom para você e sua família,

MZandona

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O mundo passa por uma crise econômica sem precedentes, segundo alguns especialistas. A intervenção do governo americano em seu sistema bancário foi necessária, mas tardia. A moda do crédito fácil e rápido endividou a população americana, afetando seu poder de compra, seus investimentos e é claro, seu crédito. Como a doutrina consumista é a base da economia americana desde os anos 50, a diminuição do consumo catalisou ainda mais a crise. Como se não bastasse, atualmente 6 em cada 10 americanos possui uma dívida de mais de 20.000 dólares. Ao mesmo tempo, banqueiros e grupos de instituições financeiras enriqueceram como nunca na história, com salários na casa dos milhões de dólares mensais. Esta festa um dia tinha que acabar, levando consigo bolsas de valores de todo o mundo para dentro desta ressaca financeira. Enquanto países se encontram à beira da falência, mais da metade dos estados americanos já estão oficialmente enfrentando uma das piores recessões de sua história.

Distrituição do "Food Stamp" (vale refeição) em Nova Iorque. Atualmente, 28 milhões de americanos dependem dele para sobreviver. O país mais rico do planeta pede socorro.

Mas o que me preocupa mais nesta crise atual é o perigo em potencial de termos uma onda de anti-semitismo mundial. Isso porque 90% das instituições financeiras e dos banqueiros com salários milionários, responsáveis diretos ou indiretos pela atual situação econômica, são judeus. Temo que a falta de escrúpulos de uma dezena de judeus americanos venha a se tornar um combustível para o ódio contra milhões de judeus ao redor do mundo. E este temor está baseado em artigos, opiniões e principalmente atitudes do povo americano repletas de anti-semitismo. Há poucos dias, zapeando por alguns canais de televisão, me deparei com um famoso desenho animado americano. Durante os 30 minutos que assisti pude ouvir mais de 10 comentários sarcásticos contra os judeus, abertamente culpando-os pela atual crise econômica atual, bem como crises do passado. A internet está repleta de vídeos e artigos conclamando a população mundial a “enxergar” o verdadeiro culpado por todas as crises da humanidade, incluindo as duas grandes guerras mundiais. É isso mesmo, agora estão culpando os judeus até mesmo pelo holocausto!

Alguns rabinos aqui de Israel, conhecidos por seus dons proféticos, anunciaram que a atual crise econômica representa a mão do Eterno para fazer com que os judeus americanos voltem para Israel. Todos sabem que a riqueza e o conforto dos 6 milhões de judeus americanos são verdadeiros empecilhos para que os mesmos façam alyiah, ou seja, regressem para Israel. O temor geral é que os americanos se tornem extremamente anti-semitas, culpando os judeus pela atual crise em um ódio nacional generalizado. Esta perseguição ideológica e política (semelhantemente ao que aconteceu na Europa nos anos 30), obrigaria o judeu americano a sair do país e a imigrar para Israel. Aliás, seria mais uma fuga do que uma simples emigração dos EUA. Se isto acontecer, Israel receberia, em um curto período de tempo, milhões de judeus americanos, o que acarretaria em uma supervalorização do mercado imobiliário por aqui. Estruturalmente, Israel não está preparado para tamanha imigração, mas jamais fecharia suas portas para seus filhos.

"O Judeu: O grande parasita capitalista Mundial". Famosa propaganda nazista volta a ser utilizada nos meios anti-semitas

Assim, que os cristãos possam interceder e orar pela Paz em Israel e pela proteção de Israel e do povo judeu ao redor do planeta. Minhas orações pessoais são para que esta crise passe o mais rápido possível e que Israel tenha mais tempo para se preparar para o retorno em massa de nossos irmãos do norte. Daqui há alguns dias teremos as eleições presidenciais nos EUA e o futuro da nação americana será determinado. Todos sabem que o futuro dos EUA influenciará diretamente o futuro do mundo. Portanto, estejamos todos em oração para que a vontade do Eterno seja estabelecida na Terra, assim como é soberana nos céus.

A todos meu Shabat Shalom,

MZandona

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Zmân Simchatênu!

A festa de Sucôt (Tabernáculos ou Tendas) é a maior das festas bíblicas. Ela é a única festa que é chamada de “A Festa” (Lv 23:39) e com certeza é a festa bíblica com maior significado profético. Durante as bênçãos de Sucot, declaramos: “Zman Simchatenu” – Tempo da nossa alegria! Vejamos o mandamento divino para Israel:

“Porém aos quinze dias do mês sétimo, quando tiverdes recolhido do fruto da terra, celebrareis A FESTA do SENHOR por sete dias; no primeiro dia haverá descanso, e no oitavo dia haverá descanso. E no primeiro dia tomareis para vós ramos de formosas árvores, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas, e salgueiros de ribeiras; e vos ALEGRAREIS perante o SENHOR vosso Deus por sete dias. E celebrareis esta festa ao SENHOR por sete dias cada ano; estatuto perpétuo é pelas vossas gerações; no mês sétimo a celebrareis. Sete dias habitareis em tendas; todos os naturais em Israel habitarão em tendas; Para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o SENHOR vosso Deus.” (Lv 23:29:43)

As pessoas devem entender que os mandamentos do Eterno não são apenas alegorias espirituais que nos ensinam sobre a natureza de Deus. Mais do que isso, são ações literais cujo preparo e cumprimento também nos ensina maravilhas sobre o amor e a fidelidade de Deus. Assim, conforme o mandamento que é “estatuto perpétuo”, durante os dias de Tabernáculos construímos tendas em nossos jardins e/ou varandas. Estas tendas são decoradas com elementos naturais e frutas, bem como com os nomes de nossos “convidados especiais”, ou como dizemos em aramaico, “Ushpizin” - Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Arão e Davi, homens de Deus que trazemos à memória no tempo em que estamos no interior da Sucá (tenda). Tabernáculos é tempo de recebermos convidados e nos alegrarmos na presença de Deus. As quatro espécies de vegetais (arba milim) também são utilizadas até hoje durante os serviços matinais de Tabernáculos e representam um grande paralelo com o povo judeu e até mesmo com a Igreja!

Judeus ortodoxos almoçam na Sucá construída ao lado da Sinagoga

Atualmente não dormimos na Sucá (apesar dos mais novos se aventurarem), mas comemos nossas refeições em seu interior, contemplando os céus e nos lembrando de como somos “temporários” como a Sucá, nossa habitação temporária. Tabernáculos nos lembra que somos totalmente dependentes do Eterno. Não foi à toa que o Eterno escolheu justamente os meses de setembro/outubro para a celebração desta festa. Estes meses são meses de chuva em Israel e este aspecto da incerteza se teremos chuva ou não, faz com que nos sintamos ainda mais dependentes dEle. Ainda mais devido ao fato do teto da Sucá ser semi-aberto, composto apenas de palmeiras! Deus é perfeito!

No Kotel, as orações são feitas com as 4 Espécies (arba milim - Lv cap 23) nas mãos

A água também é um elemento muito importante durante Sucôt. Até o ano 70 d.C., havia uma cerimônia maravilhosa no último dia da Festa, em que o sumo sacerdote buscava água na fonte de Siloé, e, seguido de uma procissão em júbilo, derramava esta água no altar no interior do Templo em Jerusalém. Neste momento, o sumo sacerdote entoava em alta voz os versos finais do Salmo 118: “Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão. Louvar-te-ei, pois me escutaste, e te fizeste a minha salvação (Yeshuati). A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina. Da parte do SENHOR se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos. Este é o dia que fez o SENHOR; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele. Salva-nos (Hoshiana), agora, te pedimos, ó SENHOR; ó SENHOR, te pedimos, prospera-nos. Bendito aquele que vem em nome do SENHOR; nós vos bendizemos desde a casa do SENHOR. Deus é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas do altar. Tu és o meu Deus, e eu te louvarei; tu és o meu Deus, e eu te exaltarei. Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.” (Sl 118:20-29).

Segundo os Escritos do Novo Testamento, foi exatamente neste dia, durante esta oração do sumo sacerdote com as multidões reunidas no Templo, que Yeshua declarou em alta voz: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu interior!” (Jo 7:37-38). Yeshua desafia as multidões e se revela como o Messias de Israel, fazendo uma alusão direta ao texto de Isaías cap 12 e também ao Salmo 118. Quando ele diz: “...como diz a Escritura...”, ele se referia exatamente ao texto do Salmo 118 que exaltava ao Messias, o Ungido de Deus. Exatamente quando o povo clamava pelo Messias, Yeshua se revela em autoridade e poder como o Ungido de Deus.

Tabernáculos fala do Messias e do futuro próximo, onde as nações subirão a Jerusalém para adorar ao Eterno durante estes dias (Zc 14:16). Durante Tabernáculos também era costume o chefe da nação (Rei, Juíz ou Profeta), ler em público o livro de Deuteronômio (Devarim). Assim, peregrinos de Israel e de todas as nações aprenderiam sobre as proezas do Senhor e sobre a Sua Lei para a cumprir! (Dt 31:10). Para isso as nações subirão a Jerusalém em Tabernáculos, para adorar e APRENDER sobre a LEI do Senhor!

Milhares de cristãos, motivados pelas palavras escatológicas do profeta Zacarias, visitam Jerusalém durante a Festa dos Tabernáculos. Milhões de dólares são gastos em uma celebração de luxo especialmente preparada para eles. Eles marcham pela cidade de Jerusalém e são recebidos pelo primeiro ministro de Israel como convidados ilustres da nação. Tudo acontece na mais perfeita harmonia, pois o acordo entre o governo de Israel e essas organizações cristãs se baseia na proibição do evangelismo e/ou proselitismo, ou seja, tudo pode ser feito desde que o nome de Yeshua (Jesus) não seja explicitamente anunciado. O Nome “Jesus” ou “Yeshua” não deve aparecer em nenhum cartaz, banner ou anúncio. Estes milhares de cristãos que dizem amar a Israel e ao povo judeu não têm contato algum com judeus cristãos locais, os quais sofrem amargamente por anunciarem Yeshua como o Messias por aqui. Aqui existe judeu messiânico sem emprego e até mesmo sem moradia, pelo simples fato de crer abertamente em Yeshua como o Messias, mantendo sua identidade judaica. Se não fosse a penosa ajuda das congregações locais, estas famílias de judeus crentes estariam passando fome. Aliás, muitos estão passando fome pois não há recursos para ajudar a todos.

Enquanto isso, os cristãos brincam de celebrar Tabernáculos em Jerusalém, com seus pastores milionários andando pela cidade cercados por seguranças e hospedados em hotéis 5 estrelas. São recebidos com honra pelos governantes da nação e trocam honrarias e medalhas entre si. Ajudar aos “santos de Jerusalém” como ordenado por seu apóstolo (Paulo) em Rm 15:26-27? Não como deveriam, pois os mesmos não são prioridade! Aprender a Lei do Senhor conforme os gentios deveriam fazer durante Tabernáculos em Jerusalém (Dt 31:10)? Jamais! "Isto é coisa do Velho Testamento", dizem eles.

"Marcha de Jerusalém" - Muito dinheiro para os cofres de Israel e pastores milionários, quase nada para os Judeus messiânicos locais

Bem, é melhor eu parar por aqui pois Tabernáculos é para ser tempo da nossa alegria, não é verdade? Oro apenas para que os cristãos acordem de sua fantasia teatral de Tabernáculos e comece a se interessar em realmente OBEDECER aos mandamentos prescritos para os gentios entre as nações que temem e querem servir ao Deus de Israel.

Chag Sameach (Feliz Festa),

MZandona

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Um YOM KIPUR especial em Jerusalém

Em muitos aspectos esta foi uma semana muito intensa para nós aqui em Jerusalém. Somos extremamente gratos a Deus por nos proporcionar este tempo aqui em Israel, conhecendo pessoas, estudando muito e aprendendo a depender mais do Eterno. Foi também uma semana de refrigério e de muitas bênçãos, onde tivemos o privilégio de nos encontrarmos com amigos que muito nos ajudaram e nos motivaram a darmos o nosso melhor em nosso trabalho aqui em Israel. Agradecemos de coração ao Pr. Gustavo e a Ana Paula pelo maravilhoso tempo que passamos juntos, e com muita alegria pudemos ver como Deus tem levantado este casal para despertar a Igreja no Brasil com relação à restauração de seu relacionamento com Israel e o povo judeu, de maneira equilibrada e saudável.

Judeus orando no dia de Yom Kipur - Maurycy Gottlieb, 1878

Rosh Há Shaná passou e em poucos momentos estaremos iniciando o jejum de Yom Kipur, o dia da expiação. São 24 horas sem beber e sem comer absolutamente nada, onde ficamos em constante oração e arrependimento não penas por nossos pecados individuais, mas principalmente pelos pecados de nosso povo como nação. Este é o objetivo principal de Yom Kipur, promover o arrependimento coletivo da nação de Israel. Cremos na importância de Yom Kipur para despertar não só em Israel como também na Igreja ao redor do planeta a necessidade de orarmos e pedirmos perdão ao Eterno pelos pecados de nossas nações perante o Senhor. Já imaginaram se a Igreja brasileira jejuasse e orasse uma vez por ano, unida e comprometida, pedindo perdão pelos pecados da nação e de seus governantes? Pois bem, Deus estipulou este dia de clamor por nossas nações e ele é chamado de Yom Kipur!

Desejo a todos um bom Yom Kipur e que nossas súplicas possam ser ouvidas por Deus. O mundo passa por uma crise não apenas econômica, mas também moral, que contribui para o distanciamento por parte das sociedades dos princípios e valores do Deus de Israel. Aliás, esta crise atual e muitas outras são fruto desse distanciamento. Daí a importância de nos arrependermos pelos pecados de nossos governantes e de nossa nação, clamando pela intervenção divina.

Shalom u’Vrachá Le culam (paz e bênçãos a todos),

MZandona

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Rosh Ha Shaná 5769

A celebração de Rosh há Shaná (literalmente: “cabeça ou primeiro do Ano”), marca o início do ano judaico e é celebrado no primeiro dia do mês de Tishrei. Na verdade, alguns rabinos dizem que Rosh Há Shaná é o aniversário da criação, e que estaríamos completando 5769 anos de existência. Já outros rabinos afirmam que esta contagem iniciou-se logo após o dilúvio, e que os anos desde a criação até o dilúvio podem se estender por milhares ou até milhões. Todos sabem que no calendário bíblico o ano novo começa com o 1° mês, o mês atual de Nissan (geralmente em março/abril), com a festa da Páscoa como marco. Mas após o exílio na Babilônia, a contagem dos meses sofre alteração cronológica e nominal, e o primeiro mês passa a ser o sétimo (Tishrei). O dia da Trombeta, ou Yom Teruá, é celebrado no 1° dia do 7° mês, com grande convocação e toque do shofar (Lv 23:24-25).

Rosh Há Shaná é a única festa celebrada onde não há a explicação clara, da parte do Eterno, sobre sua origem ou memorial. Todas as festas no calendário judaico estão associadas a eventos ou à preservação da memória dos feitos do Eterno para com o nosso povo, tal como Páscoa (Libertação do Egito), Shavuôt (dádiva da Lei no Sinai) e Sucôt (lembrança da peregrinação no deserto). Mas Yom Teruá (Rosh Há Shaná) não é conectada a nenhum feito ou evento histórico na Torá. Muitos rabinos crêem que Yom Teruá é uma festa que anuncia o retorno do Messias, sendo o toque do Shofar um aviso para que Israel e as nações se preparem para recebê-lo.

Judeu ortodoxo toca o Shofar no Kotel, na madrugada de Rosh Ha Shaná

Como Yom Kipur (dia da expiação) é celebrado 10 dias após Rosh Há Shaná, dizemos que Rosh Há Shaná marca o início do juízo do Eterno sobre a criação, sendo o dia de Yom Kipur o dia do veredicto. Assim, os 10 dias entre Rosh Há Shaná e Yom Kipur são conhecidos como “os 10 dias temíveis” ou “Iamim Noraim” e é um período de muita oração, súplica e arrependimento entre o povo judeu, com o toque do Shofar a cada serviço. Daí surge um dos comprimentos mais comuns durante estes dias: “Tikatev vê Taihatem” - “seja escrito e selado”. Desejamos isto pois cremos que o Eterno possui o Livro da Vida, e nele são escritos os nomes dos justos. Durante os 10 dias entre Rosh Há Shaná e Yom Kipur, estes nomes são “revisados” pelo Eterno, que o sela em Yom Kipur. A crença da existência deste “Livro da Vida” é proveniente da Lei Oral judaica e também pode ser encontrada nos escritos judaicos do Novo Testamento, onde há várias menções ao mesmo: Fp 4:3, Ap 3:5, 13:18, 17:8, 20:15, 21:17 e 22:19.

Começamos a celebração de Rosh Há Shaná com um maravilhoso jantar, acompanhado de algumas orações específicas para este dia. Comemos neste dia maças com mel como um símbolo do desejo de um ano novo doce e agradável a todos. A chalá (pão de shabat) que é usada no jantar de Rosh Há Shaná não é comprida, mas sim redonda, simbolizando o ciclo da vida que se renova a cada ano. Desde a antiguidade, estipulou-se que a celebração de Rosh Ha Shaná duraria 2 dias, pois no passado não havia certeza do dia específico (1° dia do 7° mês), em função de ser uma festa da lua nova. Assim, os dois dias de Rosh Há Shaná são passados quase sempre na sinagoga, onde tocamos o shofar e oramos um conjunto de orações específicas que estão agrupadas no Machzor (livro de orações para Rosh HÁ Shaná e Yom Kipur). Basicamente são orações de agradecimento, louvor e principalmente arrependimento. Neste dia, colocamos sobre o Aron Ha Kodesh (arca que contém o rolo da Torá) uma cortina branca, simbolizando a necessidade de termos um coração puro perante o Eterno.

A leitura da Torá é feita em Genesis capítulos 21 e 22, relatando o evento da “Akedá”, onde Abraão sobe com seu filho Isaque ao monte Moriá para sacrificá-lo. A Haftará que lemos é a história do profeta Samuel, seu nascimento e seu chamado sacerdotal (I Sm caps 1 – 3). É impossível estudarmos estas porções da Tanách e não notarmos uma palavra que é o tema central dos dois eventos: HINENI! Esta pequena palavra em hebraico expressa o que realmente sentimos e o que realmente estamos dispostos a fazer por amor ao nosso Deus: HINENI – EIS-ME AQUI! A expressão HINENI expressa nossa prontidão para obedecer e servir incondicionalmente ao nosso Criador. O sacerdote Eli instruí a Samuel: Hineni – Daber Adonai ki shomêa avdechá – Eis-me aqui! Fala Senhor pois está a ouvir teu servo!

AKEDÁ, representada por Laurent de La Hyre - 1650

Por isso, meu desejo para todos vocês neste ano novo que tem início nesta semana é que possamos ter o espírito de Abraão e o espírito de Samuel, servos verdadeiros que não se preocupavam apenas em crer em Deus, mas em obedecê-Lo de todo o coração, não importando as circunstancias. Tenho certeza que os que vivem o verdadeiro “HINENI”, terão seus nomes escritos e selados no Livro da Vida.

A Todos meu Chag Sameach e meu Shalom desde Jerusalém,

MZandona