terça-feira, 25 de agosto de 2009

O CONTEXTO DESCONTEXTUALIZANTE

Por Matheus Zandona

Um certo índio, membro de uma das tribos ainda sem contato com o homem branco, possuía uma missão especial. Em sua tribo, ele era um dos responsáveis por preparar o alimento. Em especial, sua tarefa era esquentar a água a ser utilizada no preparo dos extratos e sumo de raízes. Para realizar tal responsabilidade, ele utilizava folhas muito finas de uma planta da região, dobradas e amarradas formando uma espécie de concha. A água era colocada dentro deste recipiente feito de folhas e este era levado ao fogo. Quando a água começava a ferver, ele a levava para outro índio, que já estava com sua mistura pronta, aguardando a água quente. Assim, a comida era preparada e todos da tribo se alimentavam com fartura.

Mas um certo dia, uma equipe de pesquisadores chegou de súbito em visita à comunidade indígena. Foi uma grande surpresa para todos os índios, pois nunca haviam visto outros homens fora de seu próprio grupo. Apesar do estranhamento inicial, o grupo de pesquisadores foi bem recebido, tendo recebido permissão do cacique para permanecer no local observando os nativos. Após alguns meses de contato e já tendo o domínio da língua da tribo, um dos pesquisadores, físico e antropólogo, acompanhou o índio responsável por esquentar a água em sua tarefa diária. Vendo o mesmo esquentando a água na fina folha, indagou-o: “Você nunca se perguntou por que a folha não se queima quando levada ao fogo?”. O índio respondeu: “Faço minha tarefa desta forma, pois assim faziam meus antepassados, mas não sei por que a folha não se queima quando levada ao fogo”. O professor de física assentou-se com o índio e propôs explicar-lhe o porquê deste fenômeno, com o intuito de ajudar o nativo a implementar sua tarefa, tornando-a mais eficaz. O professor contou-lhe sobre as propriedades físicas e químicas da folha, da água e do fogo, explicando como a água fria em contato com a folha, mantinha a temperatura da mesma constante, longe de seu ponto de fusão. O índio aprendeu conceitos sobre termodinâmica, ponto de fusão e ebulição, pressão de vapor, dentre muitos outros. Ele tanto se maravilhou por entender o mecanismo que impedia a folha de pegar fogo que começou a ensinar a outros índios também. Seus amigos se maravilhavam com tamanha sabedoria, ao ver como o cozinheiro passou a entender o contexto do ato realizado por ele há tantos e tantos anos.

Mas o que foi realizado pelo professor de física com o intuito de ajudar o índio em sua tarefa diária, veio a prejudicá-lo grandemente. Não só a ele como também à sua tribo. O entendimento do fenômeno físico foi algo tão fascinante que a simples tarefa de esquentar da água perdeu a importância. Tanto o índio cozinheiro, quanto aqueles que lhe ouviam as maravilhas aprendidas, passaram a se considerar mais importantes, mais nobres que os outros índios. Rapidamente se separaram do restante da tribo, passando horas e horas apenas discutindo sobre os processos de termodinâmica e temperaturas de ebulição e fusão. Eles anunciavam seu conhecimento como sendo extremamente necessário para o restante da tribo e até repudiavam os que não lhe davam atenção ou desprezavam seu novo conhecimento.

Isto gerou sérios problemas na pequena e isolada sociedade tribal. O índio que esquentava a água se maravilhou tanto em entender o processo de não combustão da folha, que deixou de realizar a dita tarefa. Ele só queria gastar tempo ensinando a outros sobre o maravilhoso fenômeno, e a tribo não tinha mais água quente para preparar seus alimentos. Ninguém mais da tribo sabia preparar o recipiente de folhas, muito menos esquentar a água na temperatura certa para ser utilizada no preparo dos alimentos.

Assim, o conhecimento revolucionário e importante do índio, que deveria servir para aperfeiçoar sua tarefa (talvez o levando a escolher um material de maior condução térmica, por exemplo), veio a desviar-lhe da sua tarefa, prejudicando e dividindo toda a tribo. É claro que o “know how” do índio cozinheiro era algo especial e necessário, mas se este “know how” tivesse sido devidamente utilizado para melhorar seus serviços à tribo, todos veriam que este novo conhecimento serviria para o bem geral e desejariam aprendê-lo com grande anseio. A quem poderíamos atribuir o erro primordial? Ao professor de física, que não enfatizou que o novo conhecimento deveria servir para o bem da comunidade, beneficiando primeiramente a tarefa do índio cozinheiro? Ou ao próprio índio, que tanto se maravilhou entendendo o contexto que se esqueceu do próprio “texto” (sua tarefa de esquentar a água)?

Bem, se você teve paciência de ler este texto até este ponto, considere-se merecedor de receber meu humilde manifesto. Meu intuito com este exemplo banal e simplório visa explanar um grande problema vivido atualmente no seio do movimento Judaico Messiânico, ou movimento da Restauração das Raízes da Fé. Como um de seus idealizadores e fundadores em meu continente, sinto-me na posição propícia para realizar este ensaio revelador e extremamente oportuno. Sinto-me também preocupado e até mesmo um pouco desmotivado, ao vislumbrar o rumo que alguns líderes e comunidades nominalmente ligados a este movimento têm tomado. Rumo este que é responsável por muitos problemas e desvios no Reino e no Corpo do Messias, no Brasil e em outros países.

Meu pai, o rabino messiânico Marcelo M. Guimarães, sempre diz que “um homem inteligente não deixa que a atenção às vírgulas roube-lhe o contexto das palavras”. É claro que este tão importante sinal de pontuação tem seu merecido valor na elaboração que qualquer texto, inclusive este. Mas o que meu pai quis dizer com este provérbio de próprio punho era que pessoas que demasiadamente se entrincheiram nas entrelinhas e no contexto, acabam perdendo a visão geral do próprio texto. O contexto deve auxiliar-nos a entender o texto, e não tomar-lhe o lugar.

É dessa forma vejo o tesouro precioso legado pelos pioneiros do movimento judaico messiânico, em especial ao movimento de Restauração. Estes, judeus em sua maioria, representam o prelúdio do que acontecerá no futuro, onde a “lei sairá de Sião e a palavra de Deus de Jerusalém”. Percorrem vários países ministrando em inúmeras denominações sobre o contexto das Sagradas Escrituras, visando ajudar a Igreja a entender e vivenciar melhor a fé. A Igreja há dois mil anos tem o texto. Os judeus há três mil anos possuem o texto e o contexto. Não há como a Igreja entender os Escritos Sagrados de Israel (entre estes incluídos os livros do Novo Testamento), sem o contexto precioso legado pelos filhos de Israel. Métodos interpretativos, lógicas de estudos, correlações de passagens, informações históricas e culturais, doutrinas inspiradoras, correntes de pensamentos, etc., representam uma pequena fração do contexto judaico das Escrituras. Quem lê um texto sem ter o contexto, lê apenas meio texto. A outra metade é preenchida com o que o leitor bem entender.

Os judeus messiânicos, membros da Igreja e irmãos na fé, têm procurado auxiliar a Igreja a entender o contexto de sua missão, de seu chamado, de sua existência e de sua fé. É necessário quebrarmos fortes e resistentes dogmas fundamentados em contextos estranhos à veracidade bíblica. Só o contexto verdadeiro e original pode retirar as escamas dos olhos dos líderes eclesiásticos de nossos dias, ajudando-os a viver a experiência das Escrituras de maneira plena e eficaz.

O problema é que muitas igrejas, grupos e pessoas que têm acesso ao contexto, ou que adentram o movimento Judaico Messiânico, têm deixado de cumprir o texto. Como o índio de nossa estória, se maravilharam tanto em conhecer o hebraico, os midrashim, os estudos de famosos rabinos, os comentários talmúdicos e os símbolos e ornamentas do judaísmo, que se esqueceram de cumprir os básicos e simples requisitos das Escrituras. Vida santa, separada, exemplo para a sociedade, não é mais tão importante assim. Vida familiar saudável, onde cônjuges amam-se com o amor de Cristo e os filhos são fontes de bênção para outras famílias, não é mais prioridade. Ser irrepreensível aos olhos da sociedade, tendo obras que reluzem e induzem outros a servirem a Deus, não mais importa. Evangelizar e anunciar as Boas Novas a toda criatura, dando bom testemunho de uma vida de arrependimento e obediência a Deus e à Sua Palavra, não é mais o chamado maior. O que importa agora é o quanto da sabedoria judaica é conhecida, como os ritos mais bizarros criados por comunidades judaicas há anos luz da sobriedade bíblica eram e são realizados até hoje. O que é nobre e digno de honra por muitos destas comunidades é fazer aula de hebraico moderno (ainda que se pague caro a professores da comunidade judaica local e mesmo após anos de aulas ninguém fale nada!), citar dois ou mais comentários talmúdicos na pregação (mesmo que nunca se tenha colocado às mãos em um verdadeiro exemplar), embrenhar-se em livros sobre o judaísmo e cultura judaica (ainda que se acredite que alguém consiga aprender sobre uma cultura ou sobre uma religião apenas por livros), citar nomes de cidades e personagens da Bíblia no hebraico original (ainda que ninguém dos ouvintes saiba do que se trata), além de outras práticas carregadas de grande paradoxo.

Deixo claro que não sou contra o uso saudável e idôneo das ferramentas de contextualização citadas acima, até porque faço uso de quase todas em meu exercício ministerial. Mas jamais deixaria que nenhuma delas fosse mais importante ou me impedisse de cumprir o fundamental papel como Judeu e como discípulo de Jesus: ABENÇOAR E SER LUZ PARA AS FAMÍLIAS DA TERRA. Porque sendo santo, vivendo uma vida separada para Deus, dando bom testemunho aos de fora de minha comunidade da fé, provendo minha vida de boas obras, manifestando os frutos do Espírito, amando a Deus sobre todas as coisas e ao meu próximo como a mim mesmo, estou sendo LUZ e contribuindo para a Salvação dos que estão ao meu redor. Isto, caros irmãos, é o mais importante. Esses fatores me qualificam como o Bom e fiel servo, cuja palavra anda alinhada à prática, e o testemunho ao conhecimento adquirido. O contexto e a sabedoria judaica deveriam servir como um catalisador, uma enzima que acelera e aperfeiçoa a reação de implantação destas exigências básicas em minha vida, enriquecendo meu conhecimento e, por conseqüência, melhorando a qualidade do meu viver em Cristo.

O famoso rabino Shaul, também conhecido como apóstolo Paulo, chegou ao ponto de afirmar que estaria disposto a abrir mão de sua própria salvação em prol da salvação de alguns de seus irmãos judeus. Esta deve ser nossa maior motivação, nosso tônus vital. Nossos atos, nossas palavras, nossos artigos e livros devem ter como motivação final a SALVAÇÃO de vidas ainda escravizadas pelo inimigo de nossas almas. Muitos, ao entrarem para o movimento Judaico messiânico, vêem as práticas bíblicas e judaicas como um “alvará de liberação” das obrigações do verdadeiro servo de Deus. Antes, evangelizavam a cada esquina, no ônibus, na padaria, na praça e até mesmo no banco. Não bebiam álcool de qualquer espécie em restaurantes ou festas, pois eram conscientes da contextualização pecaminosa e carnal que este elemento (na forma principalmente da cerveja e bebidas destiladas) assumiu em nossa cultura. Mas agora, na Congregação Judaico Messiânica, vêem os judeus celebrando a ceia com vinho e usam isto como pretexto para a embriaguez em suas casas ou em atividades com outros “irmãos” da congregação. Não falam mais da cruz ou do plano de salvação de Deus através de Israel e seu messias. Antes, perdem tempo apresentando aos outros as belezas ocas de um judaísmo contemporâneo sem vida e falido. Vestiam-se de maneira ponderada e eram bem vistos por todos, mas agora utilizam-se de ornamentas judaicas e símbolos de Israel de forma errônea e descontextualizada, trazendo confusão tanto a judeus quanto a irmãos de outras igrejas, resultando em uma grande demonstração de desrespeito às tradições e à cultura judaica. Como se não bastassem os exemplos supra citados, ainda temos o típico caso da pessoa que, uma vez participante de uma congregação judaico messiânica, simplesmente decide tornar-se judeu sem nenhuma prova ou conhecimento de descendência judaica, caindo no ridículo perante a sociedade e indo contra um mandamento explícito das Escrituras Sagradas. Isto só prova que o mais importante para estas pessoas não é Deus ou Seus mandamentos, mas sim seu próprio ego.

O Judeu messiânico e membros de congregações judaico messiânicas devem ter em mente que o fato de ser judeu messiânico ou pertencer a uma congregação messiânica traz em si uma grande responsabilidade frente ao Corpo de Cristo. Por termos acesso ao CONTEXTO, temos que ter o TEXTO vivo em nós, ou seja, devemos ter o cumprimento básico e as exigências primordiais das Escrituras em PLENA ATIVIDADE em nossas vidas. Temos obrigação de darmos um melhor testemunho, de termos uma vida mais santa, de ganhar mais vidas para Yeshua e para o Reino e de vivermos mais no poder do Evangelho do que nossos irmãos que ainda estão distantes das bênçãos de Israel. Deveríamos ter mais curas, vivenciar mais milagres e vermos mais o poder de Deus, do que os que ainda não conhecem a “seiva da oliveira”. De outra forma, esta seiva será vista por nossos irmãos de fora apenas como algo gorduroso, calórico e tóxico, que não tem produzido outro efeito senão engordar o ego e aumentar a inércia, a soberba e o sectarianismo destes que se dizem restauradores das raízes, mas não conseguem nem restaurar a si próprios. Julgue, pense, acorde e aja! A Igreja precisa de um Movimento Judaico Messiânico sóbrio, autêntico, verdadeiro e EFICAZ. Temos que restaurar nosso próprio movimento para sermos agentes de restauração entre nossos irmãos. Seja, antes de tudo, BÊNÇÃO PARA AS FAMÍLIAS DA TERRA, e LUZ PARA AS NAÇÕES. Esta é a essência do Judeu Messiânico e do movimento de Restauração. Este é o chamado maior de todo judeu e de todo discípulo do homem de Nazaré.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

“Chorarei eu no quinto mês (Áv), fazendo abstinência, como tenho feito por tantos anos?” – Zc 7:3


Tishá be Áv (dia 9 do mês de Av) é o segundo jejum mais importante do calendário judaico. Neste dia, jejuamos e lamentamos por vários eventos que trouxeram calamidade para o nosso povo, que por coincidência ou não, ocorreram todos no mesmo dia, no 9° dia de Av. Vemos em algumas referências da Tanách (como Zc 7:3), que neste dia já era costume o jejum e o lamento. Também o Talmud (Taanit 29a) e a Mishná (Taanit 4:6), fazem referência ao Tishá be Áv. Lamentamos e nos lembramos dos seguintes eventos que ocorreram neste dia:

- O relatório catastrófico dos espias enviados por Moisés além do Jordão (que fez com que D-us punisse o povo com a proibição da entrada em Canaã) – Nm 13;

- A Destruição do 1° e do 2° Templos em Jerusalém (586 a.C e 70 d.C);

- A derrota da revolta de Bar Kochba (135 d.C);

- O Decreto de Alhambra, promulgado em 31 de março de 1492, ordenando que todo judeu deixasse o território espanhol até 31 de julho de 1492, dando início ao terrível período inquisitorial (31 de julho de 1492 equivale a 9 de Av);

- Também nos lembramos do período das Cruzadas e do Holocausto, onde grande parte do povo judeu pereceu;



Destruição do 2° Templo em Jerusalém (Francesco Hayes)

Neste dia fazemos um jejum completo, como em Yom Kippur. Também há o costume de sentarmos em cadeiras baixas ou deitarmos no chão, como fazemos em Shivá (primeiros 7 dias de luto por um familiar). Não usamos peças de roupas de couro, não nos lavamos nem fazemos a barba. Tudo para que 9 de Áv seja lembrado com grande tristeza. Neste dia, nem sequer saudamos as pessoas com palavras; apenas inclinamos a cabeça. A área do Kotel fica intransitável, e grande parte das pessoas que vem aqui dormem no chão, passando a noite lendo o Livro de Lamentações, o livro de Jó e o Kinnot (poemas de lamento). Este é o único dia no qual colocamos uma cortina preta sobre o Aron Há Kodesh e a Torá não é estudada. Tishá be Av é um dia de grande luto para o judeu.

Caminhando neste dia pelas ruas da Velha Jerusalém e, sentado ao chão, leio as palavras do profeta Jeremias. Sou tomado de grande tristeza ao vislumbrar as grandes tragédias que as nações nos causaram. Nós que deveríamos ser LUZ, ser Bênçãos para os gentios, nos vemos odiados, rejeitados e perseguidos. Mas maior tristeza ainda tenho quando vejo que muitas destas catástrofes poderiam ter sido evitadas se nós, como povo de Israel, tivéssemos dado mais atenção aos princípios do Eterno, obedecido e guardado profundamente em nosso coração os Seus mandamentos.


Área do Kotel (Muro Ocidental) durante Tishá be Av

Vejo Israel nestes dias e me preocupo. Leio as palavras de Zacarias e tento aplicá-las no tempo presente:

Fala a todo o povo desta terra, e aos sacerdotes, dizendo: Quando jejuastes, e pranteastes, no quinto (Av) e no sétimo mês (Tishrei), durante estes setenta anos, porventura, foi mesmo para mim que jejuastes? Ou quando comestes, e quando bebestes, não foi para vós mesmos que comestes e bebestes? Não foram estas as palavras que o SENHOR pregou pelo ministério dos primeiros profetas, quando Jerusalém estava habitada e em paz, com as suas cidades ao redor dela, e o sul e a campina eram habitados? E a palavra do SENHOR veio a Zacarias, dizendo: Assim falou o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um para com seu irmão. E não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu irmão. Eles, porém, não quiseram escutar, e deram-me o ombro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvidos, para que não ouvissem. Sim, fizeram os seus corações como pedra de diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o SENHOR dos Exércitos enviara pelo seu Espírito por intermédio dos primeiros profetas; daí veio a grande ira do SENHOR dos Exércitos. (Zc 7:5-12)

Sim caros leitores, este é um dia de lamento, um dia de luto. Mas este deveria ser também um dia de arrependimento para nós (Israel) e para as nações. Para as nações pelas catástrofes causadas ao povo escolhido de Deus (quantas destas calamidades ocorreram por ordenança da Igreja? Quanta perseguição e intolerância os cristãos já demonstraram ao povo de Israel nestes 2000 anos de história?). Este é um dia para a Igreja e os povos da Terra arrependerem-se perante Deus e perante o povo judeu pelas atrocidades cometidas.

Mas este também deve ser um dia de arrependimento para nós, judeus. Em Yom Kippur nos arrependemos dos pecados cometidos como nação contra o Eterno. Em Tishá be Av deveríamos nos arrepender pela desobediência aos mandamentos do Eterno, que segundo ELE mesmo nos admoestou, traria calamidades sobre nós. Muitos dizem que a diáspora judaica já acabou e que agora todo judeu tem um Estado pronto para acolhe-lo. Mas eu digo que o judeu hoje em Israel ainda sofre uma diáspora ainda pior do que a física: há aqui uma diáspora espiritual! Ou seja, cada vez mais a sociedade israelense se esquece de quem é, de onde veio, e para onde vai. Cada dia mais vejo as pessoas mais distantes do Deus de Israel, preocupando-se mais em serem uma nação como as nações da Terra.

Área do Kotel (Muro Ocidental) durante Tishá be Av

Bem, Israel não é qualquer nação e eu não sou qualquer pessoa. Sou judeu e minha obrigação para com Deus e para com este planeta é ABENÇOAR, é ser LUZ e BÊNÇÃO, ensinando e cuidando para que os homens conheçam ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó e guardem os Seus preceitos! Orem meus queridos irmãos, para que Israel desperte de seu sono profundo; para que o véu que falou o profeta Isaías (Is 29:10) seja removido do rosto de meus compatriotas, para que voltem-se para a Torá e para os Profetas, reconhecendo o Messias a quem rejeitaram no passado. Que possamos todos a uma só voz declarar em tempo breve e oportuno: “Baruch Há Bá Be Shem Adonai” – Bendito é o que Vem, em nome do Senhor!

Ao término da leitura de Lamentações durante Tisha be Av, todos ficamos de pé e entoamos em uma só voz: HASHIVENU ADONAI, Elecha ve Nashuvá, Chadesh iameinu ke kedem. Faze-nos voltar a Ti Adonai, e voltaremos. Renova os nossos dias, como nos dias da antiguidade!

MZandona