segunda-feira, 24 de julho de 2017

Por que as três semanas de luto no calendário judaico podem significar cura

No calendário secular é julho. No calendário judaico estamos em um período chamado de “As Três Semanas”. Este é o corredor entre dois aniversários doloridos: a data em que as antigas muralhas de Jerusalém foram violadas pela primeira vez e a data em que o Templo foi destruído. O que isso nos diz, como pessoas que se lembram dessas datas todos os anos? Será que é espiritualmente saudável nos atermos a feridas antigas?
              Nós vivemos simultaneamente em um tempo linear (que flui em uma direção) e um tempo mítico (o espiral anual que se repete). O calendário espiritual nos oferece pontos fixos, onde o tempo mítico tem um impacto no tempo linear e este é um destes pontos fixos. No meio da temporada de verão, tipicamente caracterizada por coisas como férias e acampamentos, o calendário judaico oferece uma interrupção para nos lembrar da tristeza.
              Podemos não “querer” esse lembrete. (Quem quer sentir dor – talvez especialmente em uma época do ano que é tão verdejante e bonita?) Mas acho que precisamos do lembrete... e acho que podemos nos apoderar dele para no ajudar a melhorar nosso interior. O desafio é nos permitir sentir nossa tristeza plenamente e então, (quando o tempo for apropriado), estar pronto e disposto a deixar essa tristeza ir embora por completo.
              A brecha na muralha antiga de Jerusalém é uma abertura paradigmática de integridade e plenitude para um quebrantamento. E como aqueles de nós que oferece cuidado pastoral bem sabem, toda tristeza que sentimos abre uma porta para todas as outras tristezas. Cada quebrantamento chama mais quebrantamento: seja a quebra de um casamento, de uma trajetória de vida ou de um coração cheio de mágoas.
              O calendário judaico nos dá essas Três Semanas como um tempo de sentir esse quebrantamento que caracteriza cada coração e cada vida. Essas semanas oferecem um convite, uma oportunidade para sentir o que machuca. Não porque ficaremos nesse estado de quebrantamento permanentemente, mas exatamente porque não ficaremos – e porque reconhecemos que o quebrantamento é o primeiro passo para a cura, como indivíduos e como comunidade.
              A quebra das muralhas da cidade há tanto tempo é um fato histórico. A queda do Templo é um fato histórico. Nós recobrimos essas histórias com a verdade psico-espiritual que, como Jerusalém, todos nós temos lugares quebrados, ou brechas. Como as muralhas de Jerusalém, nossos corações podem se sentir rachados e às vezes nossas vidas parecem escombros. As Três Semanas nos convidam a sentar sobre esses escombros e prantear... por um tempo.
              Todos nós temos datas importantes em nossas vidas, como o aniversário da data em que deixamos a escravidão no Egito (a Páscoa) ou a data em que o Templo caiu (o Tishá b’Av). Talvez para você seja um aniversário de casamento ou de um divórcio; de um diagnóstico, uma remissão, um novo emprego ou a morte de um ente querido. A data se torna cheia de significado. As Três Semanas são assim.
              Durante e depois dessas Três Semanas, nossa tarefa consiste de duas partes. Primeiro é notar e honrar onde nós estamos quebrados (ao invés de ceder ao impulso de cobrir com panos quentes esses lugares quebrados). E a segunda parte é nos desprender desses lugares quebrados. Ao sentir o que nos machuca, podemos transcender a dor. O objetivo não é marinar perpetuamente em traumas antigos, mas senti-los e então liberá-los.
              Esta é a instrução codificada em nosso calendário pelos sábios de minha tradição. Imediatamente após essas Três Semanas de luto e recordação, entramos no período de sete semanas de consolação. Após nos instruir a perceber e chorar por nossos lugares quebrados, os rabinos nos prescrevem um período de sete semanas de conforto. Essas sete semanas de conforto são nossa preparação para os Dias Temíveis.
              O ano novo virá, não importa o que. Mas se quisermos tirar o maior proveito da virada do ano, essas Três Semanas de luto pelo nosso próprio quebrantamento pode ser um impulso para crescimento pessoal. Essas semanas podem nos ajudar a abraçar as oportunidades das Festas Bíblicas que estão por vir para nossa edificação. Paradoxalmente, quando sentimos nosso quebrantamento plenamente, podemos nos tornar mais capazes de deixar esse quebrantamento para trás.
              Imediatamente após o Tishá b’Av, (aniversário da destruição do Templo), existe uma “virada” emocional e espiritual na direção da esperança. O pivô entre o luto e o consolo depende de nós: precisamos estar dispostos primeiramente a nos deixar sentir o que nos machuca em nossas vidas e no mundo ao nosso redor e então, deixar para trás essas mágoas e nos permitirmos sentir acolhidos, ouvidos e inteiros.

              Por Rachel Barenblat

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Para sempre Jerusalém



              Jerusalém é a eterna capital para os judeus, primeiramente, depois para os cristãos, mas nunca foi a capital para os muçulmanos. Na parte sul do Muro das Lamentações, alguém, no início do segundo século, riscou um grafite com o seguinte versículo: “E vós vereis e alegrar-se-á o vosso coração, e os vossos ossos reverdecerão como a erva tenra; então a mão do Senhor será notória aos seus servos, e ele se indignará contra os seus inimigos.” Isaías 66:14
              Todo o capítulo 66 do livro de Isaías fala sobre Jerusalém e o final do livro de Apocalipse é sobre Jerusalém. O general romano Tito cunhou uma moeda com a inscrição Judea Capita – o estado moderno de Israel cunhou uma moeda memorativa: Judea ReCapita. Não importa o que aconteça, hoje ou amanhã, Jerusalém sempre será reivindicada e o Trono de Misericórdia com Yeshua o Messias assentado nele será eternamente em Jerusalém e as nações virão para adorar o Deus de Abraão, Isaque e Israel – para sempre em Jerusalém.
              Deus abençoe a todos vocês,

              Joseph Shulam